PCP defende alargamento urgente da resposta pública em cuidados paliativo
PROPOSTA Portugal necessita não só de definir uma estratégia «séria e consequente» na área dos cuidados paliativos como, sobretudo, de mais investimento na Rede Nacional que lhes dá o suporte.
A situação dos cuidados paliativos agravou-se com a epidemia PCP defende alargamento urgente da resposta pública em cuidados paliativo
A posição é do PCP e está vertida em projecto de resolução que foi debatido e aprovado pelo Parlamento, dia 3, com os votos favoráveis de todas as bancadas à excepção do PS, que se absteve. Iniciativas do BE, CDS e IL, em sentido similar, tiveram também aprovação.
A definição dessa estratégia capaz de «responder às necessidades das pessoas mais doentes, dependentes e que maioritariamente estão em fim de vida», afigura-se no momento actual ainda mais premente face ao actual quadro de epidemia em que «muitos serviços de cuidados paliativos fecharam para serem transformados em serviços de «Medicina COVID». À falta de estratégia acresce a falta de respostas em cuidados paliativos, seja em unidades de internamento seja em equipas comunitárias e intra-hospitalares.
Esta foi uma preocupação levada a debate pelo deputado João Dias ao lembrar que, com a pandemia, os profissionais especialistas em cuidados paliativos «foram mobilizados para os serviços COVID, deixando o doente paliativo e suas famílias completamente abandonados».
«Perdeu-se acesso aos cuidados especializados e diluiu-se este doente entre os doentes COVID e não COVID», lamentou o parlamentar comunista.
Daí ter sublinhado a importância de não ser esquecido que o doente que carece de cuidados paliativos também é afectado com a COVID, pelo que deverão ser aproveitados os profissionais especializados para lhe prestar esses cuidados.
Lembrando que as pessoas com necessidade paliativas «estão em todo o lado», João Dias insistiu por isso que é preciso definir e pôr em prática uma «estratégia» digna desse nome. E sobretudo, frisou, que haja «investimento» na Rede Nacional que a operacionalize.
Quanto às equipas de cuidados paliativos, sejam intra-hospitalares ou comunitárias, referiu que «não basta criá-las no papel»: é preciso também «mais formação», «capacitar os profissionais de saúde» e dar-lhes «condições para fazer o seu trabalho».
É pela concretização desses objectivos que se norteiam as recomendações ao Governo propostas pelo PCP e agora aprovadas.