Cuba repudia nova provocação da administração dos EUA
REPÚDIO A menos de 10 dias do final do mandato, a administração Trump voltou a incluir Cuba na lista dos Estados que «patrocinam o terrorismo». O governo de Havana repudiou a medida e vários países e personalidades solidarizaram-se com Cuba.
«Um acto cínico, hipócrita e fraudulento» da administração Trump
Lusa
A inclusão de Cuba como «Estado patrocinador do terrorismo», anunciada pela administração Trump, na segunda-feira, 11, é «um acto cínico, hipócrita e fraudulento», condenou o Ministério dos Negócios Estrangeiros cubano.
Numa declaração em que rejeita em termos firmes a qualificação decidida pelo Departamento de Estado norte-americano, o governo de Havana aponta como verdadeira motivação da medida a vontade de impor obstáculos adicionais a qualquer perspectiva de melhoria futura das relações bilaterais entre Cuba e os EUA.
O texto acrescenta que a administração Trump arroga-se o direito de catalogar de forma unilateral os países, sem que para isso tenha qualquer legitimidade, e utiliza esse meio como instrumento de difamação para aplicar medidas económicas coercivas contra os que não se sujeitam aos seus caprichos.
O documento enfatiza que Cuba, longe de patrocinar o terrorismo, tem sido vítima dele, e isso é uma verdade reconhecida a nível internacional, palco em que é destacada a política oficial e a conduta impecável da ilha caribenha na rejeição desse flagelo em todas as suas formas e manifestações. Pelo contrário, 3478 cubanos morreram devido a acções desse tipo cometidas pelo governo dos EUA ou perpetradas e patrocinadas a partir do seu território com a tolerância das autoridades, além de 2099 pessoas que ficaram incapacitadas.
«Nós, cubanos, repudiamos com desprezo toda a manobra visando manipular um tema tão sensível para grosseiros propósitos de oportunismo político», sublinha a nota do governo de Cuba. O anúncio feito pelo secretário de Estado, Michael Pompeo, «constitui um acto de soberba de um governo desprestigiado, desonesto e em bancarrota moral», realça a declaração.
Com este tipo de listas, os EUA pressionam países terceiros a cortar relações comerciais e financeiros com os países «acusados» e a impor mais sanções contra eles. Cuba tinha sido excluída em 2015 da lista norte-americana dos países que patrocinam o terror, durante o processo de aproximação diplomática entre Washington e Havana, no segundo mandato do presidente Barack Obama (2009-2017).
Solidariedade com Cuba
Vários países, incluindo a China e a Rússia, e figuras políticas da América Latina repudiaram a inclusão de Cuba como «patrocinador de terrorismo» na lista elaborada pela administração Trump, a poucos dias do final do seu mandato.
O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, manifestou que os EUA não têm moral nem autoridade para colocar Cuba em tais listas. «Cuba é o país mais solidário do mundo. No meio de uma pandemia, continua a enviar médicos que salvam vidas. Entretanto, os Estados Unidos invadem países e organizam golpes de Estado», escreveu no Twitter.
O presidente da Venezuela, assegurou, na mesma plataforma, que a administração Trump pretende minar o caminho da política internacional antes de sair pela porta traseira da história mundial. «Rejeitamos categoricamente a inclusão da nossa irmã República de Cuba na lista de patrocinadores estatais do terrorismo», enfatizou o governante venezuelano.
De igual modo, o boliviano Sacha Llorenti, secretário-geral da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos, destacou que a decisão arbitrária do governo norte-americano não só viola a Carta das Nações Unidas e o direito internacional como também é uma afronta aos povos do mundo. «No meio da pandemia e sob um bloqueio criminoso, Cuba envia médicos e salva milhares e milhares de vidas», expressou. Mais: «Se existisse uma lista de países patrocinadores da solidariedade e da vida, Cuba estaria em primeiro lugar».
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, também repudiou, em termos semelhantes, a decisão do governo Trump.
O mesmo fez o senador colombiano Iván Cepeda, que qualificou a medida como «um acto arbitrário de quem incitou o terrorismo doméstico e esmagou a democracia», acrescentando que, hoje, a Colômbia deveria reconhecer o contributo de Cuba à paz no continente.