O que importa reconhecer
A comissária portuguesa na União Europeia, Elisa Ferreira, assinalou na passada segunda-feira que, «ao fim destes anos todos de apoio maciço de fundos estruturais, Portugal ainda é um país atrasado».
Insinuou mesmo que as opções que o País tem que tomar «passam por reconhecer que há uma região rica e que o resto do país é toda uma região pobre», advertindo para o «risco» de continuar a figurar entre os «países em transição» e «a ser ultrapassado por muitos outros».
Ora, o que importa reconhecer é que, com a adesão ao Mercado Único, agravada pela posterior criação da União Económica e Monetária (UEM) e a adesão ao euro, Portugal passou de um dos países da zona euro com um dos maiores pesos do investimento no PIB para uma situação em que o peso do investimento caiu para quase metade, e que isso se deve, em grande medida, à ruinosa destruição do nosso aparelho produtivo com enorme impacto na redução da produção nacional, que os fundos estruturais estão muito longe de alguma vez terem compensado.
Importa reconhecer que em Portugal não há uma região rica e um resto do País pobre. Há de facto profundas assimetrias regionais calculadamente promovidas pela política de direita, de que os governos do PS (não esquecendo que Elisa Ferreira foi ministra do ambiente de um deles), PSD e CDS são os grandes responsáveis.
Não saberá Elisa Ferreira que com a liberalização da circulação de capitais, a criação da UEM e a adesão ao euro, entre 1997 e 2020, em termos líquidos, saíram de Portugal (em lucros, dividendos e juros) mais capitais do que todos os fundos recebidos nesse período, num saldo negativo da nossa balança de rendimentos primários que ronda o valor médio de 3,3 mil milhões de euros ao ano?...
Ao fim destes anos todos, o grande atraso do País está em continuar a ser governado pela política de direita. Mas, como diz o povo, atrás do tempo, tempo vem. E mais tarde ou mais cedo, será aberto o caminho a uma alternativa patriótica e de esquerda, com a qual Portugal terá futuro.