Social-democrata

Margarida Botelho

Em entrevista na semana passada à TVI, a afirmação de Marisa Matias de que é social-democrata surpreendeu. Não haverá grandes motivos para isso: a definição ideológica do Bloco de Esquerda e dos seus dirigentes é bastante fluida. Faz, aliás, parte da sua identidade uma certa indefinição ideológica e de classe, que radicará na própria história de construção do Bloco de Esquerda. Não discutiremos isso. O PCP tem uma identidade e histórias próprias, de que se orgulha muito, mas que não pretende impor a nada nem a ninguém.

Este pequeno artigo pretende apenas lembrar que há cerca de 12 anos, durante a preparação do XVIII Congresso do PCP, houve uma enorme polémica em torno da caracterização que o PCP fez do BE, a propósito da apreciação do quadro partidário institucional, como sempre procura fazer nas suas Teses. Referimos, à época, aspectos como o seu carácter social-democratizante, o verbalismo e radicalismo esquerdizante, a busca de protagonismo mediático, etc.

Estavam presentes na altura a imposição do referendo da IVG, o acordo na Câmara de Lisboa ou a lei da paridade. Caiu o Carmo e a Trindade. Francisco Louçã chegou a dizer que se tratava do ataque mais sectário alguma vez feito pelo PCP. A teoria de que o PCP ataca o Bloco, qual lobo mau e capuchinho vermelho, teve um ponto alto na altura.

Como os dirigentes partidários se definem é assunto que cabe na vida interna de cada partido, e o BE não é excepção. Mas não deixa de ser curioso notar a diferença entre a violência com que se zurziu o PCP na altura e a naturalidade com que Marisa Matias assume a social-democracia como sua família política. Fica o registo.

 



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