Coitadinha da Galp
A Galp distribuiu, já este ano, apenas 574 milhões em dividendos aos seus accionistas.
Forçados a viver com alguns míseros milhões de euros por mês, os accionistas da Galp viram-se na obrigação de propor rescisões amigáveis a centenas de trabalhadores. Só quando alguns desses trabalhadores recusaram aceitar o seu despedimento é que a Galp se viu forçada a despedi-los, em dois processos de despedimento colectivo, primeiro de seis e agora de 12 trabalhadores.
O sindicato e a célula do Partido falaram em chantagem sobre os trabalhadores, como se fosse culpa dos accionistas o comportamento pouco amigável destes trabalhadores. Pouco amigável e pouco patriótico, pelo menos para a Holanda onde são pagos os poucos impostos que a Galp paga sobre os seus muitos lucros.
A comunicação social democraticamente preferiu continuar a receber os milhões que a Galp investe em publicidade, em vez de amplificar a voz daqueles que denunciaram o despedimento colectivo. Democrática e patrioticamente, pois sem estes apoios em publicidade a comunicação social deixaria de ser livre para publicar, e só há democracia com uma imprensa livre.
A nossa empatia com estes pobres accionistas é tão grande que só não propomos uma colecta nacional porque ela já existe, através dos preços cartelizados dos combustíveis. Mas faremos mais por eles. Vamos fazer tudo o que pudermos para os libertar do fardo de serem accionistas da Galp, nacionalizando-a.
Sem esquecer que o Estado já é o segundo accionista da empresa, limitando-se hoje a dar carta branca aos accionistas privados. Teremos pois de levar a nossa caridade até à mudança de quem está no poder e ao serviço de quem está esse poder.
Somos mesmo uns gajos bestiais e cheios de pena dos accionistas da Galp.