Estudantes exigem na rua o fim das propinas e o aumento do valor das bolsas de estudo
EDUCAÇÃO A cidade de Coimbra, acolheu, no passado dia 11, uma concentração em defesa do Ensino Superior público, por mais bolsas, mais residências e pelo fim da propina.
«É na rua que se faz a luta»
A acção foi promovida pela Direcção da Organização do Ensino Superior de Coimbra da JCP e contou com a participação de mais de 40 estudantes. «O ano lectivo começou com muita incerteza e desorganização. Os alunos foram informados do funcionamento das aulas (sistema de rotatividade) apenas três dias antes do seu começo, os critérios são diferentes de cadeira para cadeira, o número de aulas laboratoriais foi gravemente reduzido» e «os professores não têm formação ou condições materiais para garantir a qualidade da aula on-line», descreveu António Joaquim, da Direcção da Organização de Coimbra, dando conta de «cursos que optaram por um único modelo de avaliação»e de «falhas técnicas» que levaram a «exames injustamente anulados».
As críticas do jovem comunista estenderam-se ao pagamento de propinas, que «põe em causa o direito de todos à educação», e à «insuficiente» Rede de Residências, estimando-se «uma perda de 300 camas», deixando «centenas de estudantes à mercê da especulação imobiliária e dos verificados aumentos de renda». Por outro lado, acrescentou, «as residências continuam a precisar de obras», faltando casas de banho, espaço e materiais de cozinha; as Repúblicas, onde a necessidade de obras é constante, «são vítimas de acções de despejo e aumentos de renda»; o serviço de abastecimento que os SASUC (Serviços de Acção Social) prestam «perdeu oferta e qualidade, sendo recorrente chegarem alimentos podres».
Décadas de desinvestimento
Afonso Sabença, da Comissão Política da Direcção Nacional da JCP, valorizou a importância daquela acção. «É na rua que se faz a luta», salientou, frisando que os actuais problemas «não são novos» e«resultam de décadas de políticas de direita de PS, PSD e CDS, do subfinanciamento crónico a que votaram o Ensino Superior e dos ataques que procuram desferir contra o seu carácter público».
Por outro lado,continuouo jovem comunista, «não é utópico nem impossível acabar com as propinas, haja vontade política para tal». «Eliminar as propinas custaria ao Estado, por ano, 300 milhões de euros. Só no ano passado, o Governo do PS decidiu conceder borlas fiscais aos grandes grupos económicos no valor de 3200 milhões de euros, dez vezes mais», informou. Outro dos problemas avançados prende-se com as «insuficientes» bolsas de estudo «em número e valor».
Sobre o Orçamento do Estado para 2021, Afonso Sabença deixou algumas questões, nomeadamente se o Governo vai convergir com o PCP «para acabar com as propinas das licenciaturas em 2021 e as de mestrado e doutoramento no prazo de dois anos», «no reforço, de 15 milhões de euros, da verba para a construção e reabilitação de residências» e na «melhoria do regulamento da atribuição de bolsas».
Falta espaço no ISCTE
Os estudantes do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa concentraram-se no dia 12 de Novembro para denunciar a falta de espaço na faculdade, particularmente espaços de refeição, de estudo e na residência estudantil. A concentração serviu também para reclamar a resolução de outros problemas, como a escassez de desinfectante na faculdade, a carência de financiamento público, a falta de democracia na faculdade, a dificuldade no pagamento das propinas, as insuficiências dos serviços académicos e da Acção Social Escolar e a ausência de profissionais e consultas de psicologia gratuitas.
Para ontem, 18, à tarde, estava prevista uma outra acção de luta, desta vez frente à Assembleia da República.
Acção em Lisboa
Nos dias 4 e 5, estudantes de diferentes faculdades da região de Lisboa manifestaram-se também pela melhoria das condições nas suas instituições e por um Ensino Superior publico.