Comício foi grande afirmação de força e confiança

Foi exaltante e belo o comício da Festa! Voltou a sê-lo – sendo como é o momento político por excelência -, só que este ano com o acrescido valor de ter sido o acto que melhor espelha a força da resposta que se impunha dar à enraivecida e violenta campanha reaccionária que, semanas a fio, foi mantida contra a Festa com o objectivo de a fazer abortar.

O comício constituiu-se por isso não só numa afirmação de vitalidade e de poder criador na superação dos inúmeros obstáculos que foram criados, como, simultaneamente, o seu êxito – tal como o êxito político e cultural da Festa – correspondeu a uma severa derrota dos mentores de tal campanha suja movida contra o Partido e a Festa e para todos os que a veicularam. Uma derrota tanto mais pesada quanto o foi a gigantesca operação antidemocrática dos seus autores.

Com a sua presença - e não podendo descontextualizar-se das circunstâncias em que a Festa se realizou -, o que aqueles milhares de pessoas afirmaram de forma inequívoca – e bem alto – foi a sua adesão aos valores democráticos. Ali estava gente de todas as condições e idades, comunistas e outros democratas, com e sem filiação partidária, cuja presença representou uma enorme afirmação de liberdade, um assumido acto de resistência e luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo.

A importância e significado do comício e a expressão que teve vai, por isso, muito para lá do que é a habitual leitura que dele se faz e adquire uma relevância que marca necessariamente a actualidade política.

E é-o por variadas razões - e todas elas fortes. À cabeça, pela mobilização e forte participação. Mesmo com os constrangimentos impostos em nome da saúde pública, fazendo deste um comício necessariamente diferente, como diferente foi a Festa, a verdade é que em tudo foi igual no que toca à força e determinação que dele emanaram e que se projecta nas batalhas que prosseguem pela justiça social, pelos direitos, e pela política alternativa.

Por outras palavras, nada se perdeu em força e intensidade, nem em entusiasmo e emotividade, nem em alegria e confiança.

Organização irrepreensível

Muito menos em capacidade de organização. E cedo isso se tornou perceptível, bem antes do seu início e à medida que os lugares da plateia iam sendo preenchidos, ordenada e disciplinadamente. Num movimento progressivo e contínuo, o verde da relva foi sendo substituído pelo vermelho vivo das bandeiras. E a mesma imagem se impôs em parte das alamedas que irradiam do imenso círculo fronteiro ao Palco 25 de Abril. Centenas e centenas de bandeiras numa gigantesca onda vermelha ondulante ao sabor da brisa suave que nessa tarde acalmou as altas temperaturas sentidas no fim de semana, com frequência agitada pelo enérgico movimento que sempre acompanhava o ecoar de milhares de vozes irmanadas em palavras de ordem, como foi a tantas vezes repetida «assim se vê a força do PC».

Pelo som e a partir do palco, os músicos Tiago Santos e Maria Antónia Mendes, davam indicações que ajudavam ao enquadramento e ocupação dos lugares e ao cumprimento das regras sanitárias. Foi ainda pela voz dos dois animadores que foram anunciados os países das delegações estrangeiras presentes, sempre sob aplausos, alguns sublinhados com maior intensidade, como o foram as de Cuba, Palestina ou Venezuela.

Esta foi a tónica prevalecente no período que antecedeu o comício e que se manteve desde o primeiro minuto em que, às 18h00 em ponto, foi declarado aberto por Mafalda Guerreiro. A esta coube a sua apresentação, nomeadamente a chamada daqueles que iriam ocupar o palco (este ano sem a presença das delegações estrangeiras e reservado às representações da JCP, da Direcção da Festa e aos membros da Comissão Política e do Secretariado do Comité Central, e da Comissão Central de Controlo), bem como dar a palavra aos três oradores que nele intervieram, Afonso Sabença, da Comissão Política da Direcção Nacional da JCP, Manuel Rodrigues, da Comissão Política e director do Avante! e o Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

E foi nesse registo combativo, solidário e internacionalista que o comício se prolongou por cerca de hora e meia, sempre atentamente seguido por aquela plateia de gente que, de forma consciente e responsável, rejeitando a chantagem e a mentira, fez da sua presença um exercício de liberdade contra o medo e as ameaças.

Imensa obra colectiva

E também por essa razão aquilo a que se assistiu ao final da tarde de domingo – e esta é outra das razões que confere individualidade a este comício –, foi a uma inegável demonstração de querer e vontade de quem não prescindiu dos seus direitos, uma expressão da indomável força e coesão do colectivo partidário, da perenidade dos seus ideais, do poder transformador do seu projecto, e de identificação e apoio às orientações que guiam a sua acção política.

Não menos distintivo, a ficar certamente na memória dos que o vivenciaram, foi a atmosfera de contagiante alegria que marcou todo o comício, onde nunca faltou também o espírito de fraternal camaradagem e de forte solidariedade internacionalista.

Mas tudo isto foi o que foi porque inseparável é da Festa em que se insere, como esta é indissociável do Partido que a ergue, num acto de criação ímpar dirigido às massas, que sempre se reinventa e adapta nas suas multifacetadas vertentes culturais e na sua dimensão política.

Uma Festa, erigida como sempre foi, com o saber a inteligência do Partido que a promove, sempre com os olhos no futuro, como imensa obra colectiva que é, só possível também porque é erigida como é pela generosa e inexcedível entrega e dedicação dos militantes do PCP e da JCP, dos seus amigos e dos amigos da Festa.

Este foi, pois, um comício que deu alento para enfrentar as batalhas que aí estão, um momento, tal como a Festa no seu todo, como sublinhou Jerónimo de Sousa, que fica marcado pela «capacidade, a organização, a responsabilidade, a coragem e a confiança».




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