Chantagem na Saúde

Manuel Gouveia

Disse o Bastonário da Ordem dos Médicos, difundiu a Comunicação Social amestrada: «Se a Saúde privada fechasse a porta, estávamos todos tramados».

Mas a realidade é outra, e radicalmente diferente: Todas, repito, todas as dificuldades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) se devem à política – de direita - que abriu o espaço para a existência do sector privado, que desinvestiu no SNS e cobriu todos os investimentos do privado.

Uma realidade que igualmente implica que se o Estado deixasse de financiar o sector privado, este entraria em colapso imediato, tramando os capitalistas da saúde. Porque em Portugal não existe simplesmente o «mercado» capaz de alimentar os apetites por lucros dos grandes grupos monopolistas (e onde esse mercado existe, como nos EUA, ele assenta na capacidade do Estado de manter dezenas de milhões afastados do acesso à saúde, e outros tantos completamente esmagados pelos custos do mesmo).

O que faz falta em Portugal é um Estado com a vontade e a coragem de enfrentar o sector privado, principalmente os grandes grupos económicos que actuam no sector. Um Estado que queira colocar a satisfação das necessidades do nosso povo à frente da criação de oportunidades para a aplicação, multiplicação e concentração de capital privado. Um Estado que acabe com o desvio de recursos públicos para alimentar a acumulação capitalista. Um Estado que responda à chantagem como merecem ser tratados os chantagistas: expropriando quem se recusar a colocar ao serviço do público os recursos que detém.

Graças à Revolução temos um Serviço Nacional de Saúde que é ainda um dos melhores do mundo. Mas que tem sido minado para alimentar o sector privado. Quase sempre, minado por quem é eleito prometendo defendê-lo, porque ainda são poucos os que se atrevem a dizer ao que vêm.





Mais artigos de: Opinião

O «novo normal»

O«novo normal» surgiu no jargão ideológico das classes e media dominantes para impor uma nova mistificação, afecta aos seus interesses, nesta fase da actual epidemia, sobre o que seria «socialmente necessário» à sobrevivência das classes dominadas – pânico, angústia, paralisia, resignação, egocentrismo, distanciamento...

A Festa, o Partido e a Democracia

A ofensiva reaccionária que se vinha desenvolvendo subiu de tom no contexto da epidemia. O ataque que neste momento se desenvolve contra a Festa do Avante! é, antes de tudo, um ataque ao Partido, visando minar a confiança conquistada ao longo de cem anos de luta, de que este goza junto dos trabalhadores e do povo...

A tese

Num recente espaço de comentário televisivo, João Soares sugeriu que, devido à assinatura do pacto de não agressão, em Agosto de 1939, a União Soviética partilha com a Alemanha nazi a responsabilidade pelo início da Segunda Guerra Mundial. Entre modestas declarações de que não é historiador e juras de não ser movido por...

A Festa é do povo, e o povo precisa dela!

Falta uma semana e um dia para as portas da Quinta da Atalaia se abrirem e ter início a 44.ª edição da Festa do Avante!. Temos pela frente dias de intenso trabalho, esclarecimento, mobilização, organização, criatividade, paixão, orgulho, solidariedade e alegria.

Bielorrússia, o que está em causa

Os promotores da tentativa de golpe de Estado na Bielorrússia não desistem do objectivo antipopular de mudança de regime. Apesar da cada vez maior evidência que a Maidan bielorrussa tem a asa quebrada, procuram ainda provocar um ponto de ebulição que abrisse portas ao cenário de derradeiroassalto, tão almejado em...