Chantagem na Saúde
Disse o Bastonário da Ordem dos Médicos, difundiu a Comunicação Social amestrada: «Se a Saúde privada fechasse a porta, estávamos todos tramados».
Mas a realidade é outra, e radicalmente diferente: Todas, repito, todas as dificuldades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) se devem à política – de direita - que abriu o espaço para a existência do sector privado, que desinvestiu no SNS e cobriu todos os investimentos do privado.
Uma realidade que igualmente implica que se o Estado deixasse de financiar o sector privado, este entraria em colapso imediato, tramando os capitalistas da saúde. Porque em Portugal não existe simplesmente o «mercado» capaz de alimentar os apetites por lucros dos grandes grupos monopolistas (e onde esse mercado existe, como nos EUA, ele assenta na capacidade do Estado de manter dezenas de milhões afastados do acesso à saúde, e outros tantos completamente esmagados pelos custos do mesmo).
O que faz falta em Portugal é um Estado com a vontade e a coragem de enfrentar o sector privado, principalmente os grandes grupos económicos que actuam no sector. Um Estado que queira colocar a satisfação das necessidades do nosso povo à frente da criação de oportunidades para a aplicação, multiplicação e concentração de capital privado. Um Estado que acabe com o desvio de recursos públicos para alimentar a acumulação capitalista. Um Estado que responda à chantagem como merecem ser tratados os chantagistas: expropriando quem se recusar a colocar ao serviço do público os recursos que detém.
Graças à Revolução temos um Serviço Nacional de Saúde que é ainda um dos melhores do mundo. Mas que tem sido minado para alimentar o sector privado. Quase sempre, minado por quem é eleito prometendo defendê-lo, porque ainda são poucos os que se atrevem a dizer ao que vêm.