Cuba, a superioridade do socialismo

Albano Nunes

O carácter internacionalista de Cuba evidencia a sua natureza humanista e a superioridade do socialismo

Cuba, que acaba de celebrar o 67.º aniversário do assalto ao quartel Moncada, é um exemplo vivo do que pode («si, se puede», dizia Fidel) uma revolução autêntica, dirigida por homens e mulheres profundamente identificados com as aspirações do seu povo e assente na intervenção consciente e criadora das massas no processo de construção da nova sociedade. A audaciosa acção de 26 de Julho de 1953 fracassou e Fidel e seus companheiros presos, julgados e encarcerados. Mas a luta não parou, antes ganhou um novo ímpeto. Num processo original (como originais são todos os autênticos processos revolucionários) em que a guerrilha da Sierra Maestra desempenhou o papel central, a ditadura de Fulgêncio Baptista, a cruel marioneta dos EUA, foi finalmente derrotada.

Desde então a revolução cubana, que para resistir e consolidar-se fez uma clara opção pelo socialismo, teve de percorrer um árduo caminho, submetida que foi, desde o primeiro momento com a fracassada invasão da Baía dos Porcos, à mais persistente, diversificada e criminosa ofensiva do imperialismo norte-americano, com novas tentativas de invasão, sistemáticas operações de desestabilização, inúmeras conspirações para assassinar Fidel e um cruel bloqueio visando isolar e esfomear o povo cubano, bloqueio que persiste até hoje apesar do poderoso movimento internacional de solidariedade e de repetidas condenações na ONU e que, mesmo em tempos de pandemia, a administração norte-americana não cessa de agravar. A tudo isto se somou o desaparecimento da URSS e as derrotas do socialismo no Leste da Europa forçando Cuba ao dramático «período especial», e na actualidade a violenta ofensiva da administração norte-americana para reverter o processo de soberania e progresso social que percorreu a América Latina, especialmente agressiva contra a Venezuela e visando explicitamente Cuba socialista.

É um feito histórico extraordinário que, num contexto internacional tão desfavorável, a revolução cubana não só resista e avance, como continue a afirmar de cabeça erguida o seu generoso carácter internacionalista bem patente, no passado, na decisiva ajuda militar a Angola para rechaçar a agressão racista-imperialista ou à Etiópia revolucionária dos anos setenta, hoje na acção humanista solidária das suas brigadas médicas em 38 países e territórios, envolvendo 3772 profissionais. Uma prática que vinha muito de trás, inscrita na cooperação com a Venezuela, a Bolívia, o Brasil e muitos outros países, sobretudo latino-americanos, mas que se intensificou extraordinariamente como resposta solidária ao surto epidémico. O que isto representa quanto à natureza humanista e à superioridade do socialismo deve estar bem presente no combate político e ideológico em que estamos empenhados contra o anticomunismo e a tudo quanto vise desmobilizar a luta dos trabalhadores e dos povos pela sua libertação. O assalto ao quartel Moncada foi derrotado mas os seus frutos estão aí a confirmar que, confiando nas massas e persistindo corajosamente na luta, a vitória acabará por chegar.



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