Sem férias

Margarida Botelho

A CGTP-IN divulgou na semana passada uma tomada de posição chamando a atenção para a situação dos trabalhadores com filhos pequenos que tiveram férias forçadas durante o confinamento.

Apesar de a generalidade da comunicação social a ter ignorado olimpicamente, a denúncia da CGTP-IN é bem real e devia ser encarada com a gravidade que tem. Muitos trabalhadores foram obrigados a “férias” forçadas durante os meses de Março, Abril e Maio, fosse por via da suspensão da actividade de muitas empresas, fosse durante as férias escolares da Páscoa, em que não houve apoio para ficar em casa com as crianças em idade escolar.

Chegados a Agosto, sem mais férias para gozar, muitas famílias de trabalhadores confrontam-se com o drama de onde e com quem deixar as crianças. Muitas das entidades que organizavam férias desportivas, campos de férias, actividades de tempos livres, etc, não o fizeram este ano. A maior parte das actividades que existem não duram todo o mês e têm preços incomportáveis para os salários que se praticam no País. Se falarmos das crianças mais pequenas e menos autónomas, a situação complica-se.

Em todos os casos, depois do encerramento das escolas de todos os graus de ensino a 13 de Março, o que as crianças precisam é de sair, brincar ao ar livre, recuperar o tempo que estiveram fechadas em casa. Mas muitas famílias de trabalhadores dificilmente terão condições de corresponder a essa necessidade das crianças durante o mês de Agosto.

Diz a CGTP-IN em comunicado: «não tendo enquadramento legal específico, estas situações concretas têm de ter uma resposta excepcional e urgente nos apoios sociais para que as famílias não fiquem desprovidas de soluções. Se o lay-off foi ajustado para as empresas, também os apoios às famílias têm de ser ajustados às suas necessidades.» O problema é real e exige solução.




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