A «crise da comunicação social»
Os média dominantes, a propósito de situações e problemas no sector, têm preenchido o espaço informativo com a chamada «crise da comunicação social» que, invocada a torto e a direito para realidades diversas, ameaça tornar-se mais uma mistificação das muitas que engordam a ideologia das classes dominantes e a sua ofensiva, nos planos económico e político.
Entre os casos recentes assinalem-se: a falência anunciada de parte da imprensa local, sem meios nem apoios; os 54 despedimentos no Grupo Impala - TV7Dias, Maria -, num contexto que a problemas de gestão soma quebras de publicidade e leitores; a venda de património e os despedimentos na Global Média – JN, DN, TSF -; o terceiro processo consecutivo de aquisição da Media Capital – TVI, R. Comercial – e os depedimentos prometidos por um «empresário» de lay off(s); e a venda de património e despedimento de 27 trabalhadores da RTP(!) com vínculo precário, cuja contratação efectiva estava decidida.
De facto, a migração para as televisões e plataformas digitais e a quebra de publicidade e público de jornais e rádios confirmam um novo salto tecnológico do sector, mas é o domínio imperialista e monopolista que impõe a concentração e centralização de capitais, a exploração e a regressão das liberdades de imprensa e informação.
A crise é real para os trabalhadores, para a imprensa e rádios locais, mas não o é para os grupos económico-mediáticos, cujos lucros cresceram em 2019, em que medram os negócios e a oferta de 11 milhões de euros, a seu pedido e do BE, a pretexto da publicidade institucional antecipada.
Em vez desta «crise», biombo para novas negociatas, o que se impõe é uma política alternativa, que impeça os monopólios mediáticos e permita avanços de democracia e progresso social.