Direitos das crianças em tempos de isolamento

Margarida Botelho

O encerramento das escolas de todos os graus de ensino na passada sexta-feira é um marco na nossa vida colectiva, mas sobretudo nas vidas das crianças que de súbito viram as suas rotinas completamente alteradas. Se para os adultos o embate é grande, para uma criança é decerto bem maior, e com riscos de marcar negativamente o seu desenvolvimento harmonioso. Como pais e como sociedade, importa fazer tudo para que este período seja vivido com a maior tranquilidade, alegria e carinho possível.

As medidas que o Governo anunciou para apoiar os pais de crianças até aos 12 anos não vão infelizmente nesse sentido. Um corte de um terço nos salários nas primeiras duas semanas com as escolas encerradas; total indefinição sobre como serão pagas as mais de duas semanas das férias da Páscoa; ausência de apoio se um dos pais ficar em teletrabalho; lay-off simplificado - é isto que o Governo anuncia pomposamente como «apoio à parentalidade».

O que as crianças e as suas famílias precisam nesta fase é do máximo de segurança e estabilidade possível. Apoiar as crianças exige cabeça fresca e disponibilidade mental para miúdos saturados de estarem em casa, permeáveis ao clima de medo que se espalhou, perplexos com novas regras, como não sair ou não dar abraços e beijinhos. Não há cabeça fresca nem disponibilidade mental se o salário se reduzir ainda mais e os meses tiverem cada vez mais dias. Não há cabeça fresca nem disponilidade mental se o patrão exigir em teletrabalho prazos, reuniões e telefonemas como se se estivesse na empresa ou no serviço. Não há cabeça fresca nem disponibilidade mental com vínculos precários e desemprego.

O que é necessário para os pais que têm de ficar em casa com os filhos é garantir salários a 100%, estabilidade dos vínculos, confiança e estabilidade. Como sempre, os direitos das crianças só estão garantidos se os dos seus pais também estiverem.




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