A melhor prova do pudim é comê-lo

Manuel Rodrigues

O primeiro-ministro, António Costa, apresentou há poucos dias, em Bragança, dois novos programas de apoio à criação de emprego e atracção de pessoas para o Interior do País, com incentivos financeiros a empresas e particulares.

Um dos programas é o «+CO3SO (mais coeso)» dedicado ao emprego e o outro é «Trabalhar no Interior», com incentivos financeiros e majorações para quem se mudar para estes territórios para aí trabalhar.

À partida, até parecem medidas positivas já que, alegadamente, se destinam a contrariar a desertificação do Interior.

Mas, enfermam dum problema de fundo: não atacam as causas, ou seja, a política de direita, a grande responsável pela desertificação e o abandono do Interior.

Para resolver os problemas do Interior o que é preciso é valorizar o trabalho nestas regiões, os salários, os vínculos, regular os horários de trabalho; é defender a produção nacional, apoiando e valorizando as grandes potencialidades económicas destes territórios; é uma outra política agrícola e florestal que defenda e apoie a agricultura familiar; é o apoio às micro, pequenas e médias empresas e ao sector cooperativo; é melhorar as acessibilidades e acabar com as portagens; é repor as freguesias extintas e valorizar o poder local democrático; é investir nos serviços públicos (repondo desde logo os que foram encerrados) e nas funções sociais do Estado; é criar as regiões administrativas.

Essas, sim, seriam respostas eficazes para o grave problema de desertificação do Interior. Mas não são essas as opções que o governo anunciou. Em vez de soluções de fundo, anunciou incentivos. Atenuam, mas não resolvem.

Solução de fundo seria aquela que o PCP levou à AR, e que hoje mesmo é votada, visando a criação das regiões administrativas.

Diz o povo que a melhor prova do pudim é comê-lo. A forma como o PS votar este projecto é a melhor prova do que realmente quer ao avançar estas medidas.




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