Piquetes mostraram nas ruas greve forte na distribuição
LUTA Com a grande adesão à greve de 31 de Janeiro, os trabalhadores da grande distribuição comercial deixaram claro que estão dispostos a continuar a luta por aumentos salariais sem perder direitos.
Salários baixos e horários sem regra alimentam lucros de muitos milhões
Da resposta dos trabalhadores à greve, o sindicato que a convocou (CESP/CGTP-IN) destacou como principal conclusão a afirmação da determinação de prosseguir o combate por melhores salários, pela valorização das carreiras e categorias profissionais e por horário de trabalho regulados e dignos.
A realização de piquetes de greve no exterior de vários locais de trabalho tornou mais visível a luta e os seus motivos.
«Hoje, os trabalhadores do sector deram a resposta devida, com adesões superiores a 80 por cento, em Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Santarém, Lisboa, Setúbal, Portalegre e Faro, no LIDL, Continente, Pingo Doce, Auchan, DIA Minipreço, E.Leclerc e tantas outras empresas», afirma-se na nota de imprensa que o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal divulgou ao final da tarde da passada sexta-feira. O CESP salienta que os trabalhadores «demonstraram a sua disponibilidade para continuarem a luta por aumentos salariais para todos, sem aceitação de “bancos” de horas ou retirada de quaisquer direitos».
Mais concretamente, como explicou Isabel Camarinha, presidente da direcção do CESP, num depoimento divulgado pelo sindicato a meio da tarde de 31 de Janeiro, os trabalhadores «não aceitam a proposta da associação patronal [APED], que não dá aumento praticamente nenhum e quer contrapartidas de redução do valor do trabalho suplementar, de implementação de “bancos” de horas». E «exigem aquilo que é justo: 90 euros de aumento (três euros por dia) para todos os trabalhadores, a partir de Janeiro, e a valorização das carreiras e categorias profissionais, das suas qualificações, dos muitos anos de serviço que grande parte dos trabalhadores tem».
Para o CESP, é «inaceitável» que, num sector que gera milhões de euros de lucros – foram citados, como exemplos, os resultados anuais do Continente (mais de 154 milhões), Pingo Doce (mais de 45 milhões), Jerónimo Martins Retalho e Auchan (mais de 24 milhões cada) e Worten (quase 20 milhões), as empresas se recusem a negociar o aumento das tabelas salariais, pretendam colocar mais de 80 por cento do pessoal com salários equiparados ao salário mínimo nacional e tenham pago, no dia 31 de Janeiro, 635 euros de salário a trabalhadores com 20 e mais anos de antiguidade.
- Aumentos salariais na Sonae e no Pingo Doce
Piquete de greve, junto ao entreposto do LIDL em Ribeirão, Vila Nova de Famalicão
Piquete de greve no exterior do Jumbo, em Coimbra