Viabilização da Sousacamp deve manter emprego
No dia 30 de Janeiro, a assembleia de credores do Grupo Sousacamp, maior produtor ibérico de cogumelos, foi adiada pelo Tribunal de Vila Flor, por solicitação do administrador judicial, alegando a necessidade de concluir negociações sobre um plano de viabilização e eventual aquisição pela CoRe Equity, uma empresa de capital de risco.
No exterior do tribunal, um grupo de trabalhadores contestou a intenção de despedir uma centena de pessoas. Em declarações à agência Lusa, foram confirmadas pressões para a aceitação de propostas de rescisão de contratos «por mútuo acordo» e foi denunciada a degradação das condições de trabalho.
O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (Sintab/CGTP-IN) organizou o protesto e a deslocação de trabalhadores da fábrica em Paredes, defendendo que «o plano de recuperação que venha a ser aprovado, por responsabilidade acrescida de assentar numa proposta de perdão de dívida que envolve dinheiro público, deve incluir a garantia de manutenção integral dos postos de trabalho».
As posições do sindicato e dos trabalhadores mereceram a solidariedade do PCP, que no dia 30 marcou presença em Paredes e em Vila Flor, através de Jaime Toga, da Comissão Política do Comité Central, e Diana Ferreira, deputada.
No dia 28, o grupo parlamentar comunista questionou o Governo sobre este problema, dando voz ainda a informações do Sintab sobre transferência de imobilizado da empresa de Paredes (Varandas de Sousa, SA) para outros locais.
À ministra do Trabalho, o Partido requereu esclarecimentos em três pontos:
1. Se o Governo conhece a intenção de dispensar cerca de 100 trabalhadores da Varandas de Sousa;
2. Quais as medidas que o Governo assumirá para salvaguarda dos direitos dos trabalhadores e do interesse público;
3. Quais as medidas previstas para o adequado acompanhamento do processo de insolvência, para a defesa da empresa e dos seus trabalhadores, considerando o envolvimento de financiamento público em credores da empresa, assim como formas de apoio público envolvidas, incluindo a partir de autarquias locais.
A assembleia de credores voltará a reunir-se no dia 19.