Iraquianos pedem retirada de forças militares dos EUA
PROTESTO Mais de um milhão de pessoas encheram as ruas de Bagdad exigindo a saída das tropas norte-americanas do Iraque. Reclamou-se também a proibição da utilização do espaço aéreo iraquiano por aviões militares dos EUA.
Gigantesca manifestação em Bagdad contra presença de tropas norte-americanas
Em seguida a um apelo a manifestar-se contra a presença de tropas dos EUA no Iraque, lançado pelo líder xiita Moqtada al-Sadr, centenas de milhares de pessoas – mais de um milhão, segundo a polícia iraquiana – saíram às ruas de Bagdad na sexta-feira, 24. Gritando slogans como «Fora, fora ocupante!» ou «Sim à soberania!», a multidão concentrou-se no bairro de Jadriyah, na capital, agitando bandeiras nacionais iraquianas.
Um porta-voz do líder religioso subiu à tribuna e leu um comunicado de al-Sadr, em que se apelava à retirada das forças norte-americanas do Iraque, à anulação dos acordos de segurança entre Washington e Bagdad e ao encerramento do espaço aéreo iraquiano aos aviões militares dos EUA. Uma gigantesca faixa com os dizeres «Fora América!» estava colocada na tribuna. Calcula-se que os EUA ainda mantenham no Iraque cerca de 5200 militares.
Na intervenção lida, o filho do ayatollah Mohammad Sadeq al-Sadr, executado em 1999 pelo governo de Saddam Hussein, aconselhou o presidente norte-americano a não ser «arrogante» com os dirigentes iraquianos. «Se isso for feito, trataremos os EUA como um país não ocupante. Se não, considerá-los-emos um país hostil ao Iraque», avisou.
Na sua prédica de sexta-feira, lida por um porta-voz, o grande ayatollah Ali Sistani sublinhou, por sua vez, o direito dos iraquianos a manifestar-se «pacificamente» pela sua soberania nacional.
A mais alta autoridade xiita do país denunciou por outro lado o «atraso» na formação do governo iraquiano. Na verdade, o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi demitiu-se em Dezembro, após manifestações contra as suas políticas, mas até agora os partidos não conseguiram formar um novo executivo.