«Janeiradas» da Frente Comum chamam para 31 de Janeiro
MOBILIZAR Para alterar significativamente a proposta de Orçamento do Estado, em discussão na especialidade, os sindicatos da Administração Pública e a sua Frente Comum apelam à luta dos trabalhadores.
Para lá de palavras, os serviços públicos precisam de investimento
Dirigentes sindicais e outros trabalhadores de vários sectores da Administração Pública realizaram um protesto simbólico: cantaram «janeiradas ao Governo e aos deputados», junto à escadaria do Palácio de São Bento, na tarde de dia 10, sexta-feira, enquanto no plenário parlamentar decorria a discussão e votação, na generalidade, da proposta de OE para 2020.
Frente a um palco móvel, para onde subiu um dirigente com uma viola, os manifestantes explicaram o motivo de ali estarem, entoando duas canções de José Afonso com letra «adaptada».
Sobre a música do «Natal dos Simples», ouviu-se que «Serviços de qualidade/ Exigem investimento/ e muito mais que palavras pois/ Palavras leva-as o vento».
Em declarações aos jornalistas, a coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública confirmou que «estas quadras são o retrato do que sentimos». Ana Avoila, citada pela agência Lusa, voltou a classificar como insulto a actualização salarial de 0,3 por cento, inscrita pelo Governo na proposta de OE, e sublinhou que é preciso conseguir «uma grande mobilização» dos trabalhadores para a manifestação nacional, a 31 de Janeiro, em Lisboa.
Na acção de dia 10, em expressão de solidariedade, esteve presente Diana Ferreira, deputada do PCP.
Docentes convocados
A Fenprof, cujos dirigentes marcaram presença no protesto de sexta-feira, anunciou nesse dia que «decidiu convocar todos os docentes para uma grande participação na manifestação nacional da Administração Pública», dia 31, convocando também para essa data uma greve nacional de educadores e professores.
Face ao conteúdo do Orçamento proposto pelo Governo, «os professores não podem deixar de manifestar o seu forte protesto». A proposta, afirma-se numa nota do Secretariado Nacional da Fenprof, «passa ao lado da Educação», que permanece «financeiramente estagnada, após uma década em que o financiamento público foi reduzido em 12 por cento» nesta área.
Para amanhã, dia 17, a Fenprof decidiu realizar um «cordão humano», a partir das 15 horas, em frente à Assembleia da República. Nessa altura estará a decorrer o debate de especialidade sobre Educação, com a presença do ministro.