José Dias Coelho é exemplo de militância sem tréguas

EVOCAÇÃO O PCP evocou, dia 19, José Dias Coelho: artista, militante e funcionário clandestino do Partido, assassinado há 58 anos numa rua de Lisboa que agora tem o seu nome.

«É o sangue dos mártires que faz levantar as mais copiosas searas»

A vida de José Dias Coelho, apesar de ceifada antecipadamente pelo criminoso regime fascista português, deixou dos mais brilhantes exemplos de militância e dedicação ao ideal comunista, inspirando, ainda hoje, centenas de mulheres, homens e jovens.

Apesar das condições climatéricas extremas que se fizeram sentir durante todo o dia, mais de 30 militantes do PCP não deixaram de se reunir ao final da tarde de quinta-feira, 19, para lembrar o contributo do artista mártir, do comunista de empenho sem tréguas.

O local escolhido para a sessão evocativa não poderia deixar de ser aquele onde os agentes da PIDE mataram, com dois tiros, o funcionário clandestino – um à queima-roupa e outro já quando a vítima se encontrava no chão. Foi na rua hoje nomeada José Dias Coelho, antiga «rua da Creche», em Alcântara, onde de resto se concentraram aqueles que o homenagearam no 58.º aniversário do seu assassinato.

No local sobressai a placa de mármore branco com a foice e o martelo de cor rubra, com a inscrição «de todas as sementes confiadas à terra, é o sangue dos mártires que faz levantar as mais copiosas searas», palavras que o próprio José Dias Coelho inscreveu, cerca de um mês antes de ser abatido pela PIDE, na legenda da sua última gravura, a qual denunciava o assassinato do jovem operário Cândido Martins (Capilé).

«José Dias Coelho, escultor, militante do Partido Comunista Português. Nascido em 19 de Junho de 1923, morto a tiro neste local em 19 de Dezembro de 1961 pelo assassinos da PIDE», pode-se ler ainda na placa, sob a qual foram colocadas duas coroas de cravos vermelhos pelos militantes comunistas que participaram na evocação.

Bandeira comunista

Antes da intervenção política na iniciativa dedicada à memória do resistente antifascista, Manuel Diogo e Domingos Lobo recitaram, à chuva, o poema «Bandeira Comunista», de Ary dos Santos. Os versos da estrofe final foram, aliás, entoados em uníssono: «E a cada novo assalto / cada escalada fascista / subirá sempre mais alto / a bandeira comunista».

Seguidamente, Ricardo Marques, da Organização Regional de Lisboa do PCP, tomou a palavra para recordar a importância do exemplo que José Dias Coelho deixou a todos os militantes comunistas e a todos os democratas, já que o pintor «mergulhou» na clandestinidade com a perfeita noção de que para trás ficava uma promissora vida profissional e a sua consagração como um grande artista plástico, bem como o convívio com a família e os amigos, mas simultaneamente com uma inabalável confiança e determinação no ideal revolucionário, nos trabalhadores e no povo.




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