Homenagem a António Avelãs Nunes
Realizou-se na cantina do polo II da Universidade de Coimbra um almoço de homenagem a António Avelãs Nunes, por ocasião do seu octogésimo aniversário. A iniciativa, organizada pelo Sector Intelectual de Coimbra do PCP e por amigos do homenageado, contou com intervenções de Augusto Monteiro, em nome da Comissão Organizadora, de José Lopes de Almeida, em nome dos amigos, de Gonçalo Avelãs Nunes, filho do homenageado, e de Albano Nunes, da Comissão Central de Controlo do PCP.
As intervenções sublinharam o percurso académico de Avelãs Nunes, a sua actividade de resistência ao regime fascista enquanto director da revista Via Latina, jornal da Associação Académica de Coimbra que viu a sua publicação suspensa pelo Governo de Salazar, e, já enquanto professor, na solidariedade com os estudantes em 1969.
As intervenções destacaram ainda o papel de Avelãs Nunes na contribuição para a unidade de democratas e patriotas em defesa das conquistas e valores de Abril, na luta pela paz e a solidariedade internacionalista enquanto membro da Presidência do Conselho Português para a Paz e Cooperação, como presidente da Associação de Amizade Portugal-URSS e presidente da Associação Portuguesa de Amizade e Cooperação Iuri Gagarine. Augusto Monteiro percorreu também alguns textos de Avelãs Nunes demonstrando a forma cuidada como são «polvilhados» com referências literárias e poéticas.
Foi igualmente sublinhada a extensa obra publicada por Avelãs Nunes dedicada ao estudo do capitalismo e do neoliberalismo, bem como na problemática económica e social europeia. Uma saudação enviada pelo Secretário-geral do PCP destacou, por seu lado, «a trajectória de cidadão profundamente empenhado na luta do seu povo antes, durante e depois da nossa Revolução de Abril».
Na missiva, Jerónimo de Sousa realçou igualmente o «extenso e diversificado trabalho de investigação e divulgação no campo da economia política com activa afirmação do marxismo» e a importante contribuição da obra e acção de Avelãs Nunes para a luta política e ideológica dos nossos tempos, sublinhando que «o PCP, partido da classe operária e de todos os trabalhadores, não seria o que é nem teria o papel insubstituível que tem tido na sociedade portuguesa ao longo da sua história, que em breve completará os cem anos, se não tivesse nas suas fileiras muito do melhor da cultura e da intelectualidade portuguesa. Por isso o apreço que temos pela tua contribuição militante e a satisfação que sentimos por ter intelectuais como tu no nosso grande colectivo partidário», concluiu.