Recuperar controlo público dos CTT para pôr fim à degradação do serviço público postal
SOBERANIA O PCP voltou a chamar a atenção para a crescente degradação do serviço postal, insistindo que está na hora de recuperar o controlo público dos CTT, colocando a empresa «ao serviço do povo e do País».
Há uma degradação vertiginosa do serviço postal
«Aquilo a que se tem assistido é ao encerramento de estações um pouco por todo o País, à venda do património, à degradação vertiginosa do serviço postal, que chega cada vez mais tarde», declarou Jerónimo de Sousa, dia 10, no Parlamento, no debate quinzenal com o primeiro-ministro.
O regresso do tema à AR por iniciativa do PCP foi justificado pelo líder comunista não só pelo agravamento da situação – é «vertiginosa», disse - , mas também por estar a terminar o prazo de concessão de serviço público postal, o que em sua opinião reforça a urgência de dar uma «resposta ao problema que está criado».
Para o Secretário-geral do PCP, que entende que os CTT «nunca deveriam ter saído da esfera pública e que já há muito que se impunha ser revertida a privatização», não basta ao Estado «resgatar ou pôr fim à concessão». «Isso seria ficar com a obrigação do serviço, sem o instrumento para o concretizar», advertiu, depois de ter realçado que enquanto o serviço postal se degrada, pelo contrário, para os accionistas, o que conta é o «banco CTT, esse sim galinha de oiro nesta enorme negociata».
Daí o desafio de Jerónimo de Sousa ao chefe do Governo para que esclarecesse se os CTT «no próximo ano continuarão nas mãos dos grupos económicos privados, dos especuladores e de outros, ou se passam para as mãos do povo português».
O primeiro-ministro fechou-se em copas, limitando-se a dizer que quando for chegado o «momento» de o Estado tomar decisões sobre a concessão do serviço público, então, «anunciará qual a posição sobre esta matéria». Até lá, disse estar disponível para «ouvir sugestões, para as ponderar e discutir» e que só «falará sobre o assunto publicamente quando for o momento próprio», o da «avaliação da concessão ou não».