Evo Morales defende unidade da Bolívia
UNIDADE O Movimento para o Socialismo, na Bolívia, está a debater, em reuniões alargadas, uma estratégia unitária para as eleições presidenciais de 2020. Evo Morales foi escolhido para chefe da campanha.
MAS debate estratégia a seguir tendo em vista eleições em 2020
Reunido na cidade de Cochabamba, no centro da Bolívia, no sábado, 7, o conselho alargado extraordinário do Movimento para o Socialismo (MAS) defendeu a unidade de todos os sectores sociais e políticos e indicou Evo Morales como chefe da campanha para as próximas eleições presidenciais.
Morales seguiu o encontro através das redes sociais, agradeceu a confiança pela nomeação à frente da estratégia eleitoral e recomendou a escolha de «um candidato unitário» para ganhar as eleições na primeira volta.
A reunião do MAS realizou-se no Coliseu La Coronilla, repleto de membros de 20 organizações, entre direcções departamentais, autoridades indígenas e outras estruturas do movimento.
Foi decidido exigir à Assembleia Plurinacional da Bolívia a instauração de um processo para apuramento de responsabilidades, contra Jeanine Áñez, que se fez proclamar presidente interina depois do golpe de Estado de 10 de Novembro, bem como a formação de uma Comissão de Direitos Humanos que se encarregue de acompanhar os casos de dirigentes do MAS perseguidos e detidos pelas autoridades de facto, após o afastamento de Morales por pressões dos golpistas.
De igual modo, foi considerada a necessidade de exigir ao parlamento celeridade no processo de designação das autoridades que integrarão os tribunais eleitorais de modo a garantir a democraticidade do processo eleitoral que se avizinha, embora ainda não haja data para as eleições.
Aprovou-se ainda a ideia de um pacto de unidade através do qual a Central Operária Boliviana e outras entidades nacionais se mobilizem para a realização de reuniões amplas regionais do MAS em conjunto com organizações sociais.
As conclusões saídas do encontro em Cochabamba apontaram para dar continuidade à revisão dos tópicos incluídos na Agenda Patriótica 2025, assim como para trabalhar em conjunto com outros sectores visando a criação de condições para garantir o processo eleitoral. O MAS deliberou realizar um próximo encontro alargado em El Alto.
Mais do que procurar candidatos eleitorais, priorizou-se a unidade face à actuação do governo golpista instalado em La Paz pela oligarquia boliviana com o apoio de Washington e seus aliados.
Em todo o caso, entre as propostas apresentadas no decorrer da reunião, ouviram-se os nomes do líder camponês do Trópico de Cochabamba, Andrónico Rodríguez, e do ex-ministro da Economia, Luis Ace, como possíveis candidatos do MAS, para presidente e vice-presidente, respectivamente, nas eleições previstas para 2020.
Depois da renúncia forçada de Evo Morales e no contexto da repressão golpista, morreram mais de 30 pessoas, ficaram feridas centenas, mais de mil foram detidas e registaram-se numerosos danos materiais.