Racismo e «amigalhaços»

Carlos Gonçalves

Nas condições da contra-ofensiva imperialista, para mais exploração e opressão, ganha espaço a ideologia da xenofobia e racismo, da extrema-direita e suas projecções fascistas, visando mistificar a natureza do capitalismo e travar a alternativa emancipadora, quando se agudiza a luta de classes. As provocações racistas e xenófobas, seja no caso de Trump ou por cá, não são apenas «trogloditas», são expressão do objectivo de inverter o inevitável declínio do sistema e de perpetuar a exploração do homem pelo homem.

No nosso País, a provocação dispõe dos seus próprios «agentes». Fátima Bonifácio (FB) é uma «notável» da intervenção ideológica reaccionária; o texto publicado no Público de dia 6, com um pretexto de ocasião, é de facto um manifesto racista, xenófobo e fascizante, ignorante e mentiroso, contra «ciganos e africanos», que despreza valores humanistas, da ONU e da «cristandade» (cuja invocação por FB só seria aceitável se referida a data anterior à abolição da escravatura em Portugal, 1761), que despreza a Constituição e a Lei, incluindo o Código Penal, que nos Crimes contra a Humanidade (Art. 240.º), institui que o «... escrito … através de comunicação social que … difamar ... pessoas por causa da sua raça, cor ou origem étnica ou nacional, … com a intenção de incitar à discriminação racial ... é punido com pena de prisão de 6 meses a 5 anos».

Fica assim claro que o «argumento» da «liberdade de imprensa» do «amigalhaço» Sousa Tavares no Expresso (entre outros) é uma mistificação, porque os direitos em democracia são definidos e limitados na lei. E só a falta de vergonha e o apoio do sistema lhe «permitem» ainda chamar «salazarento» a quem denuncia FB e a quem luta contra o racismo, a xenofobia e a extrema-direita.

 



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