Fretes

Jorge Cordeiro

Neste semeio de preconceito anti-comunista, adubado nas mais das vezes pelo ataque mais directo ao PCP, de que os últimos dias foram férteis, a ambição da deputada do BE no Parlamento Europeu a guindar-se à presidência do GUE/NGL foi cereja no topo do bolo. O caso faz as delícias de quem farejando razões para atacar o PCP se não conteve no salivar perante a oportunidade. Entre os milhentos pretextos que afanosamente buscam, este tem a vantagem de opor BE e PCP, o que na nomenclatura mediática dominante se ajeita a essa narrativa de fazer de uns vítimas e dos outros algozes, de uns impolutos e dos outros pecaminosos, de uns fofinhos e modernaços em contraponto a carrancudos e conservadores. Nada de novo na forma, ainda que se justifique ir à substância. Não pela rama preconceituosa, pelo recado encomendado à imprensa ainda que acompanhado de um cínico «não comento», pelo «tweet» fretado ou pela zelosa mão de cronistas que poluem o espaço matinal de comentário. Mas pelo que de facto e em substância está em debate.

Pouco conta para a narrativa difundida, na tagarelice anticomunista, que o desenrolar dos acontecimentos sejam vendidos de pernas para o ar, se passe ao lado dessa tentativa do BE, de mãos dadas com outros acompanhamentos, para subverter as regras e princípios de funcionamento que há mais de vinte e cinco anos moldam o funcionamento confederal do Grupo.

Pouco interessa, nas mãos de quem o respeito pela verdade dos factos é coisa que não vende, que há quem justamente se oponha às tentativas de descaracterização do Grupo para o moldar à perspectiva federalista dominante nas instituições da União Europeia e mantenha a linha de afirmação da identidade e independência própria no seio de um grupo que deve funcionar no respeito pela opinião de cada delegação e pelo consenso de decisão.

Pouco releva, para quem vale tudo, os jogos de bastidores e o golpismo de procedimentos, a intriga de umbigo, o sectarismo dos que na sua ambição desmedida se arrogam criticar a quem não se vergue aos seus jogos. O BE, a exemplo do PCP e de mais de duas dezenas de outras forças, é tão só uma componente do Grupo. Não o «dono disto tudo» que se julga ser talvez animado pela promoção e vassalagem mediática que por aí se vê.




Mais artigos de: Opinião

A catástrofe

A ONU publicou o trabalho de um seu colaborador chamado O Apartheid Ambiental. A tese é simples: com a degradação ambiental resultante das alterações climáticas, o planeta vai desembocar na degradação das condições de sobrevivência, que afectará em primeiro lugar as regiões pobres e os dois a três mil milhões de pessoas...

Mais força à CDU não é verbo de encher

Tal como em 2015, o reforço da CDU é a questão central da próxima batalha eleitoral. E não é verbo de encher, é a opção determinante para se avançar no caminho de reposição e conquista de direitos, de construção de uma política alternativa que dê resposta aos problemas dos trabalhadores, do povo e do País e não de se retroceder.

EUA, o Dia chegará..…

O imperialismo norte-americano quer impor ao mundo um domínio absoluto e incontestado. Agora, com Trump e o seu séquito de falcões e fascistas, procura vergar e abater toda e qualquer resistência indo ao ponto de fazer pairar sobre o mundo a ameaça nuclear. É inquietante que os principais países capitalistas, assim como...

O PSD e a síndrome do 24 de Abril

A síndrome PSD do 24 de Abril é o conjunto de sinais e sintomas desta patologia crónica e da sua política. E é também uma doença congénita, já existia antes do PSD nascer, nos genes dos «pais fundadores», na simulação liberal da fase terminal do fascismo. Após a Revolução de Abril, fez-se doença crónica e mais agressiva....

Dois carrinhos?

Nas jornadas parlamentares do PS Carlos César disse o que lhe vai na alma. Está cansado dos «bloqueios», «constantes dificuldades» e «inércias» com que a actual solução de governo atrapalha o seu partido. Não se queixa do mesmo de cada vez que se entende com o PSD. E esse discurso oriundo do PS da direita teve também o...