O PSD e a síndrome do 24 de Abril

Carlos Gonçalves

A síndrome PSD do 24 de Abril é o conjunto de sinais e sintomas desta patologia crónica e da sua política. E é também uma doença congénita, já existia antes do PSD nascer, nos genes dos «pais fundadores», na simulação liberal da fase terminal do fascismo. Após a Revolução de Abril, fez-se doença crónica e mais agressiva. Uma das suas manifestações mais virulentas foi o governo PSD/CDS de P. Coelho e, no plano da mistificação ideológica, foi chamar «novo 25 de Abril» ao projecto de fazer o País voltar ao 24 desse mês libertador.

Rio foi um esforçado empreendedor desta patranha. E quando o Diabo «bateu as botas», na nova fase da vida política nacional, esta treta deu suporte a uma chefia do PSD recauchutada. Mas o PSD continuou em perda, com a derrota de elementos da política de direita, do PSD, CDS e PS, pela relação de forças do 4 de Outubro de 2015 e por acção do PCP e da CDU.

As propostas de Rio do «novo 25 de Abril» fizeram algum caminho, por exemplo, na legislação laboral, mas falharam muitos projectos reaccionários, como a subversão da autonomia do Ministério Público e da independência do sistema de Justiça, o tal que estaria agora «pior que com Salazar», porque faltou o «banho de ética» de Rio e houve avanços positivos no combate ao crime económico e à corrupção, mesmo de «notáveis» do PSD.

Hoje, o PS faz o possível para se livrar das «circunstâncias», em que a luta do povo e a proposta do PCP conquistaram direitos, e para voltar à plenitude da política de direita. E cada vez mais sectores do capital apostam no PS, para o confinar à sua opção de classe, com o PSD (e o CDS). A síndrome PSD do 24 de Abril poderia assim tentar fazer mais caminho pela mão do PS.

Também por isso - andar para trás não. Mais força à CDU.




Mais artigos de: Opinião

A catástrofe

A ONU publicou o trabalho de um seu colaborador chamado O Apartheid Ambiental. A tese é simples: com a degradação ambiental resultante das alterações climáticas, o planeta vai desembocar na degradação das condições de sobrevivência, que afectará em primeiro lugar as regiões pobres e os dois a três mil milhões de pessoas...

Mais força à CDU não é verbo de encher

Tal como em 2015, o reforço da CDU é a questão central da próxima batalha eleitoral. E não é verbo de encher, é a opção determinante para se avançar no caminho de reposição e conquista de direitos, de construção de uma política alternativa que dê resposta aos problemas dos trabalhadores, do povo e do País e não de se retroceder.

EUA, o Dia chegará..…

O imperialismo norte-americano quer impor ao mundo um domínio absoluto e incontestado. Agora, com Trump e o seu séquito de falcões e fascistas, procura vergar e abater toda e qualquer resistência indo ao ponto de fazer pairar sobre o mundo a ameaça nuclear. É inquietante que os principais países capitalistas, assim como...

Fretes

Neste semeio de preconceito anti-comunista, adubado nas mais das vezes pelo ataque mais directo ao PCP, de que os últimos dias foram férteis, a ambição da deputada do BE no Parlamento Europeu a guindar-se à presidência do GUE/NGL foi cereja no topo do bolo. O caso faz as delícias de quem farejando razões para atacar o...

Dois carrinhos?

Nas jornadas parlamentares do PS Carlos César disse o que lhe vai na alma. Está cansado dos «bloqueios», «constantes dificuldades» e «inércias» com que a actual solução de governo atrapalha o seu partido. Não se queixa do mesmo de cada vez que se entende com o PSD. E esse discurso oriundo do PS da direita teve também o...