Quatro mil pessoas dão voz às reivindicações do MURPI
PIQUENICÃO No domingo, 9 de Junho, todos os caminhos foram dar a Cuba, cidade alentejana que acolheu o 24.º Piquenicão Nacional da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos –MURPI.
Cresce a luta dos reformados, pensionistas e idosos
Nesta festa sonhada todos os anos – de amizade, convívio, alegria, partilha, fraternidade e camaradagem – estiveram mais de quatro mil pessoas, a maior parte reformados, vindos de vários cantos do País, para festejar e não deixar fazer esquecer o 25 de Abril de 1974.
Ao longo do dia, quente, actuaram, em três palcos distribuídos pelo Parque Manuel de Castro, onde não faltaram as sombras, mais de 60 grupos de cantares das associações e organizações de reformados do Porto, Coimbra, Leiria, Lisboa, Santarém, Covilhã, Setúbal, Alentejo e Faro. Consigo, trouxeram muito mais do que os cantares, as danças, a poesia e as marchas populares. Ali estiveram experiências individuais e colectivas, histórias e percursos de vida, emoções que não se esquecem.
Depois do almoço, num curto espaço de tempo, a intervenção política tomou o palco principal. Casimiro Menezes, presidente da Direcção do MURPI, começou por agradecer a todos quantos ajudaram a construir o Piquenicão, especialmente os trabalhadores e técnicos da Câmara Municipal de Cuba. Valorizado foi também o contributo da GNR e dos Bombeiros do concelho.
O reconhecimento estendeu-se à presença de uma delegação do PCP (com João Dias, deputado na Assembleia da República, eleito pelo distrito de Beja), assim como de representantes do Grupo Parlamentar do Partido Ecologista «Os Verdes», da CGTP-IN e da Inter-Reformados, da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto e do Movimento Democrático de Mulheres.
«Estranhamento» e mais uma vez, naquela enorme acção de massas não compareceu a comunicação social, à excepção do Avante!, Órgão Central do PCP.
Crescente participação
«O que é que motiva, todos os anos, a crescente participação dos grupo culturais das associações e organizações de reformados nesta festa?», interrogou Casimiro Menezes, dando resposta: «Seguramente a confiança que depositam no MURPI, movimento ímpar e pioneiro na área dos reformados».
Tendo em conta que a cultura é um direito à «expressão cultural», à «solidariedade intergeracional» e à «preservação e valorização do nosso património cultural», o dirigente reivindicou, entre outras medidas, «o financiamento por parte do Estado às actividades culturais desenvolvidas pelas associações e organizações de reformados».
Destacou, ainda, as lutas travadas pelos reformados e pensionistas, que vão continuar, pela melhoria da situação social e económica; valorização das pensões; defesa dos serviços públicos de qualidade; combate ao isolamento e na promoção da mobilidade; direito à saúde, com a defesa do Serviço Nacional de Saúde; direito à habitação condigna; direito a uma política fiscal mais justa que combata as desigualdades e injustiças sociais; direito à cultura.
Apelo ao voto
Casimiro Menezes garantiu ainda o empenho do MURPI no esclarecimento para a importância das eleições legislativas de 6 de Outubro, de modo a que os reformados e pensionistas possam votar em deputados de «confiança», que «souberam cumprir os seus compromissos» e que «irão assegurar um governo com uma política alternativa que defenda o povo, as suas necessidades, as suas expectativas no futuro melhor para as suas vidas».
Recordando o que até agora foi conseguido pela «força e exigência» da luta travada, também pelo MURPI, como a recuperação de rendimentos e direitos, a actualização das pensões, o aumento extraordinário das pensões, o pagamento do subsídio de Natal numa única prestação», Casimiro Menezes alertou para a necessidade de «avançar com medidas que garantam a actualização e o aumento das pensões para valores que, não só compensem o aumento do custo de vida, como assegurem a sua progressão para valores superiores ao limiar da pobreza».
«Um tratamento fiscal mais favorável aos pensionistas que garanta menor tributação em sede de IRS», foi outra das exigências, a par da «abolição de todas as taxas moderadoras», de maior «investimento financeiro e em recursos humanos na defesa do SNS», da «extensão do passe social e intermodal a outras regiões do País» e da «melhoria de transportes em todos os distritos».
O presidente do MURPI anunciou, por último, a criação de uma «plataforma reivindicativa» para que a Segurança Social reveja e pague os apoios financeiros devidos, «de modo a assegurar a continuidade da prestação de serviços essenciais de apoio aos idosos».
Recuperação de direitos deve-se ao PCP e à CDU
Além da leitura de uma saudação da CGTP-IN ao Piquenicão do MURPI, o momento contou com as palavras de João Português, presidente da Câmara Municipal de Cuba.
Dirigiu-se àqueles «homens e mulheres» que «lutaram uma vida inteira», «sujeitos à exploração, nos campos e nas fábricas», para lhes recordar que até há bem pouco tempo, no anterior governo do PSD/CDS, tiveram lugar «cortes nos salários e nas pensões», assim como «aumento de impostos». «Até 2015 fomos sujeitos a uma política de empobrecimento, desigualdade, injustiça e dependência», criticou, lamentando o abandono das funções sociais do Estado, particularmente nos domínios do rendimento social de reinserção, do desemprego, do complemento solidário para idosos, que «muito influenciaram a vida dos portugueses».
«Hoje vivemos tempos um pouco diferentes», continuou João Português, salientando que o actual Governo, minoritário e do PS, «está condicionado por diversas forças políticas que o impedem de exercer a política que fazia quando era maioritário». Como valorizou, a recuperação de direitos, o aumento das reformas e actualização do aumento extraordinário das pensões deveu-se apenas à CDU e ao PCP, que, com a sua intervenção, «têm obrigado a que medidas como estas tenham sido seguidas».
Intervenção municipal
O autarca, muito aplaudido pelos participantes, deu ainda conta de uma série de medidas desenvolvidas nos últimos tempos pela autarquia, tendo destacado o «SOS Cuba Repara» (serviço de piquete móvel de pequenas reparações ao domicílio), o serviço de tele-assistência (acompanhamento personalizado por parte da família e de técnicos especializados 24 horas por dia) e outros apoios «para aquisição das mais variadas infra-estruturas» e «equipamentos».
Outra das medidas implementadas de apoio aos idosos é o Programa «Abem: Rede Solidária do Medicamento», que garante o acesso ao medicamento em ambulatório por parte de qualquer cidadão que se encontre numa situação de carência económica que o impossibilite de adquirir os medicamentos comparticipados que lhe sejam prescritos por receita médica. Tem por destinatários, em geral, os indivíduos de prestações sociais de solidariedade, mas igualmente todos os que se deparem com uma situação inesperada de carência económica decorrente de desemprego involuntário ou de doença incapacitante.
«Nunca nos devemos resignar, nem desistir de ter esperança num futuro melhor», concluiu João Português.