O jeitinho
Vocês podiam dar um jeitinho, dizem-nos alguns amigos bem intencionados, justamente preocupados com os resultados eleitorais do PCP e da CDU, reconhecendo justamente que – em parte – eles se devem à violenta campanha mediática contra o Partido e de distorção da realidade.
Quando tentamos perceber o que seria esse jeitinho, dão exemplos como os da Venezuela e da Coreia. Em vez da frontal e clara solidariedade com a revolução bolivariana, podíamos dizer qualquer coisa do estilo «estamos solidários com todos os que na Venezuela lutam pela democracia e pelo direito à auto-determinação», que é coisa que até estamos, e escusávamos de falar em «agressão imperialista» ou «forças revolucionárias» e principalmente, de expressar solidariedade com aqueles que são vítimas da agressão imperialista e das campanhas mediáticas de falsificação. Sobre a Coreia, sugerem-nos que reconheçamos que aquilo é uma ditadura, e até teríamos uma boa justificação, para enganarmo-nos a nós próprios, repetindo baixinho e para dentro, que afinal, para um marxista, todos os Estados são uma ditadura.
Com um jeitinho, saía alguma pressão de cima, e defendíamos uns votitos. Nestas alturas é preciso ter alguma paciência e recordar que estes nossos amigos até são bem intencionados. E não responder logo à bruta, do tipo «os gajos da PIDE também só queriam que déssemos um jeitinho, que confirmássemos o que eles já sabiam, e esse era o primeiro passo para borrar a pintura toda...» ou «para fazer essa figura já cá anda o Bloco».
E com calma e paciência explicar – novamente – a dimensão internacional do processo de emancipação do trabalho, bem como as tarefas, em cada país, daqueles que se propõem resistir ao imperialismo e superar o capitalismo, sendo que um é a fase final e última do outro.
Sem esquecer que mais vale perder uns votos que trair. Porque a traição é mais que uma derrota, é a aniquilação.