Verdade ou consequência

Anabela Fino

O interesse que certos sectores nacionais manifestam pela Venezuela no respeitante aos direitos humanos é deveras sui generis. Não só a alegada «preocupação» oscila ao sabor das campanhas orquestradas do outro lado do Atlântico, indo de apelos pungentes (quase) a fazer chorar as pedras da calçada à mais completa indiferença – isto é, do massacre mediático ao silêncio absoluto –, como se pauta pela eliminação sistemática e deliberada de informação que ponha em causa a «verdade» servida pelos lacaios do imperialismo norte-americano.

O caso mais recente é o silenciamento das declarações do relator especial da ONU Idriss Jazairy sobre o impacto negativo das sanções económicas, referindo-se a Cuba, Venezuela e Irão.

Dizendo o óbvio, Idriss Jazairy lembrou que o recurso a sanções com objectivos políticos viola os direitos humanos e as normas internacionais já que podem precipitar catástrofes humanitárias de grandes proporções.

No caso da Venezuela, alvo de sanções desde que em 2015 Obama declarou o país «uma ameaça não usual e extraordinária à segurança nacional dos EUA» (e não «só há dois meses» como disse Guaidó à RTP, sem contraditório!), agravadas por Trump ao proibir o Banco Central da Venezuela de fazer transacções em dólares e aceder às remessas pessoais e depósitos nos EUA, Jazairy sublinha que é «difícil imaginar como é que estas medidas podem ‘ajudar o povo venezuelano’ se destroem a economia e não permitem que os venezuelanos enviem dinheiro para o seu país».

Jazairy insta a comunidade internacional ao diálogo para uma solução pacífica em linha com a Carta da ONU «antes que o uso arbitrário da fome se converta na nova normalidade». Pfff, que coisa desinteressante, a paz....




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