Avançar na resposta aos problemas é a «verdadeira opção» a 26 de Maio
AVANÇAR Em campanha pelo distrito do Porto, no sábado, 4, João Ferreira alertou para a influência que as decisões tomadas no Parlamento Europeu têm na vida do País e reafirmou a importância do voto na CDU.
O primeiro candidato da CDU passou por Custóias (Matosinhos), Porto e Valongo, acompanhado pelos também candidatos Mariana Silva, Diana Ferreira e Tiago Oliveira, por dirigentes e militantes do PCP e do PEV e por outros activistas da coligação. Nas intervenções que proferiu, João Ferreira reafirmou que os partidos «não são todos iguais» e garantiu que a intervenção dos deputados eleitos pela CDU no Parlamento Europeu «não teme comparações». «É hora de prestar contas», desafiou.
Se a nível quantitativo, os três deputados do PCP «fizeram mais, em muitos aspectos, do que os restantes 18» eleitos portugueses juntos, foi na natureza da intervenção de cada uma das forças políticas que o candidato se centrou. No essencial, lembrou, as imposições da UE que significaram sérias limitações à soberania nacional e prejudicaram direitos e rendimentos dos trabalhadores e do povo foram aceites por PS, PSD e CDS. Muitas propostas que seriam positivas para Portugal, apresentadas pelos deputados comunistas, foram inviabilizadas com os votos desses mesmos três partidos, acrescentou.
Exemplos reveladores
No Porto, intervindo no 5.º Encontro-convívio de Reformados, Pensionistas e Idosos do concelho, João Ferreira deu um exemplo recente de como esta convergência entre PS, PSD e CDS no Parlamento Europeu prejudica os interesses dos portugueses, nomeadamente dos que trabalham ou trabalharam: a criação do mercado europeu de fundos de pensões privados (aprovada por PS, PSD e CDS) promove a descapitalização da Segurança Social pública e pretende colocar os descontos dos trabalhadores nas mãos do capital financeiro.
Para além do que significa de risco para o «avanço de civilização» que representou a criação do sistema de protecção social público e universal, a medida ameaça os próprios descontos dos trabalhadores, como provam os milhões de norte-americanos que, no último pico de crise, viram os seus descontos afundar-se juntamente com os bancos que os detinham.
Também a recusa em devolver aos professores o que é seu de direito revela quais são, afinal, as opções do PS: a banca, as PPP, as imposições da UE. É na CDU que os trabalhadores, o povo e os seus direitos têm o seu aliado mais firme.
Opção decisiva
Nos jardins do Palácio de Cristal como no largo central de Custóias e no centro de Valongo, João Ferreira rejeitou a ideia de que a 26 de Maio estará em jogo uma de duas opções: andar para trás ou ficar tudo na mesma. Pelo contrário, reafirmou, estas eleições constituem uma oportunidade para avançar na resposta aos problemas do País, dando «mais força aos que estão por detrás de todos e cada um dos avanços alcançados». Esta é, afinal, a «verdadeira opção» em jogo no ciclo eleitoral que tem início no último domingo de Maio.
Valorizando o que foi conseguido, o candidato reconheceu que se está, ainda, muito aquém do que é «justo, necessário e possível». Porém, destacou, os avanços concretizados em Portugal vão «ao arrepio do que se passa no resto da Europa», onde se impõem retrocessos e se intensifica a exploração.
Reconhecimento e apoio
No centro de Valongo, a comitiva da CDU contactou com toda a gente que ali estava naquele final da tarde de sábado, entrando em cafés e lojas, abordando transeuntes, conversando com utentes de transporte público nas paragens dos autocarro. Na praça de táxis, os candidatos e activistas foram interpelados por um motorista, que agradeceu o apoio claro e inequívoco do PCP e do PEV contra a «lei da Uber» e garantiu que votou CDU nas últimas eleições. «Arrependeu-se desse voto?», questionou João Ferreira. Perante a resposta negativa do seu interlocutor, acrescentou: «então já sabe o que fazer no dia 26.»
Jerónimo de Sousa acusa PS de querer
«desfazer a actual correlação de forças»
O Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, esteve na Amadora, domingo, a participar num almoço inserido na afirmação da candidatura da CDU ao Parlamento Europeu. Aí, partiu da atitude do Governo relativamente à recuperação do tempo de serviço dos professores para sublinhar as opções fundamentais do PS: para os banqueiros há «mãos rotas», como demonstram os muitos milhares de milhões já enterrados na banca privada; a questão da sustentabilidade das contas do País só surge quando se trata de recuperar direitos roubados a quem trabalha.
O que o Governo pretende, garantiu Jerónimo de Sousa, é «desfazer a actual correlação de forças» existente na Assembleia da República, que determinou os avanços alcançados por intervenção do PCP e do PEV e muitas vezes contra a vontade do PS e do seu Governo. Daí a «fixação pela maioria absoluta» que marca o actual posicionamento do PS.