Direito a ser feliz

Margarida Botelho

Os novos passes sociais, que entraram em vigor no passado dia 1, são, como o PCP afirmou, o «maior avanço nos transportes públicos desde 1976», data em que o passe social foi criado. A face mais visível desse avanço é evidentemente o preço, com os actuais utilizadores do passe social a terem reduções muito significativas. Em muitos casos, falamos de poupanças de muitas dezenas de euros, algumas superiores a cem euros por mês, por pessoa.

Além deste avanço imediato para os que já usavam o passe, abrem-se muitas novas possibilidades para quem não o usava. Muitos trabalhadores, que recorriam ao transporte individual para as deslocações casa-trabalho, podem refazer as contas domésticas e passar a deixar o carro em casa, com poupanças significativas. Essa possibilidade real de optar pelo transporte público traz vantagens individuais mas também para o País, no plano económico, ambiental, da saúde.

Mas há uma outra dimensão destes novos passes que não tem sido suficientemente valorizada: a devolução às populações do direito à mobilidade. Para além de deixar de se estar preso a um único meio de transporte ou a uma única empresa, com o passe que se usa para ir trabalhar ou para a escola também se pode ir ao cinema, à praia, visitar os amigos ou a família, passear, ir a uma manifestação ou – no caso da Área Metropolitana de Lisboa – à Festa do Avante!.

Pode parecer pouco, mas para os milhões de portugueses para quem os meses têm mais dias que salário, faz toda a diferença ter o transporte garantido quando se decide fazer qualquer uma destas actividades, em vez de somar o transporte às restantes despesas. A gratuitidade dos passes para as crianças até aos 13 anos, as reduções para metade para os maiores de 65, ou o futuro preço máximo por agregado familiar, permitem às famílias planear e concretizar actividades de lazer que verdadeiramente lhes estavam vedadas.

Pode parecer só um simples passe novo, mas é um avanço no caminho para exercer o direito de ser feliz.

 



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