Enfrentar a chantagem sobre a ADSE
Uma «inaceitável «pressão e chantagem», assim é vista pelo PCP a operação lançada por grupos económicos da saúde contra a ADSE, indissociável, de resto, da ofensiva mais geral em curso que tem como alvo o SNS.
O espoletar dos acontecimentos foi a exigência feita pela ADSE aos grupos privados para que procedessem à devolução de 38 milhões de euros que receberam a mais e de forma indevida.
A resposta de dois grandes grupos foi rasgar os contratos com a ADSE e ameaçar com a recusa em prestar cuidados de saúde, postura reveladora de que para estes os «doentes ficam em segundo lugar» face ao seu objectivo supremo de «manterem os milhões que receberam indevidamente», como assinalou a deputada comunista Carla Cruz.
Para Paula Santos, que confrontou a ministra com o caso, não há a menor dúvida de que se está perante «abusos dos grupos económicos», que nenhuma «campanha de manipulação» consegue esconder.
É que não é aceitável, exemplificou, que o valor da «mesma prótese possa variar entre 2 282 e 31.141 euros, isto é mais 29 mil euros».
O que este caso mostra ainda é o que significa para os grupos económicos a chamada «liberdade de escolha». Na prática, frisou Carla Cruz, «seria deixar a saúde dos portugueses em segundo plano e nas mãos dos que fazem negócio com ela».