As incongruências do discurso catastrofista
Se é facilmente observável a existência de problemas - «difícil seria que não houvesse depois de mais de quatro décadas de política de direita», observou a propósito João Oliveira –, já o discurso catastrofista e alarmista das bancadas do CDS e do PSD, segundo o qual «isto nunca esteve tão mal», não encaixa na realidade.
Cai mesmo no ridículo quando se faz a simples comparação entre o quadro actual que é fruto de medidas que tiveram impacto positivo no funcionamento dos serviços de saúde (mesmo com as limitações que resultam das opções do Governo PS) e aquela que era a situação anteriormente vivida no governo PSD/CDS.
Vários foram os factos referenciados ao longo do debate que comprovam como esse discurso está longe de corresponder à verdade. É o caso, por exemplo, da situação relatada por António Filipe relacionada com o Centro Hospitalar do Médio Tejo onde está a ser feito um «esforço grande» para recuperar a «pseudo reestruturação absolutamente catastrófica que tinha sido feita durante o governo anterior».
Idêntico esforço está a ser levado a cabo naquele agrupamento que abrange os hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas para reduzir o número de utentes sem médico de família, revelou o parlamentar comunista.
Também João Oliveira tratou de pôr em evidência como «não está tudo igual», lembrando à deputada do CDS Isabel Galriça Neto, que chegou a classificar de «calamitosa a realidade do SNS», que hoje não se assiste a relatos como aqueles que havia no anterior governo PSD/CDS de hospitais que, à falta de fraldas, tinham de recorrer em sua substituição a «toalhas e sacos do lixo», ou de «doentes de hepatite C a irem à AR exigir que o Governo lhes salvasse a vida em vez de poupar no OE com os custos do medicamento».
«Não estamos na mesma situação», insistiu, antes de enumerar um conjunto vasto de outras exemplos que ilustram bem essa diferenciação. Além do aumento do efectivo de profissionais no SNS, «foram repostos os direitos e rendimentos roubados por PSD/CDS, os salários e o pagamento das horas de qualidade, assim como o horário de trabalho das 35 horas semanais», especificou o líder parlamentar comunista, antes de lembrar, por outro lado, que foram repostas as isenções nas taxas moderadoras, «reduzido o custo com os medicamentos por via da promoção dos medicamentos genéricos», alteradas algumas das condições de atribuição do transporte de doentes não urgentes, travado o fecho e concentração de serviços, aumentado o investimento em edifícios e equipamentos de saúde.