Professores na rua a 23 de Março
Na reunião de segunda-feira, 25 de Fevereiro, «confirmou-se o que já se esperava: o Governo mantém-se intransigente e pretende apagar mais de 6,5 anos de tempo de serviço cumprido pelos professores». Além disso, «o Governo recusou discutir a proposta apresentada pelas organizações sindicais de professores e educadores».
Perante estes factos, as dez organizações sindicais de docentes declararam, na nota conjunta divulgada anteontem, dia 26, que a realização de uma nova reunião em 4 de Março «fica dependente da agenda que for fixada». Da convocatória que o Governo enviar aos sindicatos «deverá resultar, com clareza, a intenção de dar cumprimento ao disposto no artigo 17.º da Lei do Orçamento do Estado para 2019: negociar o prazo e o modo de recuperar o tempo de serviço perdido nos períodos de congelamento, totalizando 9 anos, 4 meses e 2 dias».
A Fenprof e as demais estruturas decidiram que, se o Governo se mantiver «inflexível, intransigente e arrogante» após a próxima segunda-feira, irão «responsabilizar a Assembleia da República pela resolução de um problema que o Governo não pretende resolver». No dia 7, quinta-feira, entregam na presidência da AR uma petição com mais de 60 mil assinaturas; aos grupos parlamentares será entregue a proposta negocial que levaram à reunião com o Governo, de modo a que, «em torno dela, se crie o consenso indispensável para, por via parlamentar, encontrar a solução que é esperada pelos 125 mil docentes em exercício nas escolas públicas».
Uma consulta aos professores sobre as formas de luta a realizar no 3.º período lectivo será promovida entre 11 e 20 de Março.
Para dia 23, de tarde, em Lisboa, com início no Marquês de Pombal, vai ser convocada uma manifestação nacional de professores. As organizações sindicais adiantam que a recuperação do tempo de serviço será «objectivo de topo» nesta manifestação, mas não o único.
Mantendo-se a greve a toda a actividade para além das 35 horas semanais, estarão em foco na manifestação a organização dos horários de trabalho e a sobrecarga dos docentes. Também virão para a rua as condições de aposentação, o combate à precariedade, as «ultrapassagens» criadas com o reposicionamento, e a exigência de publicação do despacho das vagas para acesso aos 5.º e 7.º escalões, refere-se no documento dos sindicatos.