Venezuela derrota provocação, EUA ameaçam com intervenção
AMEAÇA A Venezuela derrotou a provocação montada na zona da fronteira com a Colômbia, mas os EUA continuam a ameaçar com uma intervenção militar, a par da guerra económica, diplomática e mediática.
A Cruz Vermelha repudiou a utilização ilegítima dos seus símbolos pela oposição
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assegurou que no sábado e domingo, 23 e 24, o seu país manteve-se em paz enquanto as grandes transnacionais da comunicação fabricavam um ambiente de guerra na fronteira com a Colômbia. «Os venezuelanos, somos 30 milhões, todos estavam nas ruas, no trabalho, nos mercados populares, os 30 milhões estavam em paz. Apesar da realidade virtual que televisões mundiais tratam de fabricar», afirmou Maduro, na terça-feira, 26, em Caracas, numa entrevista à cadeia norte-americana ABC News.
O presidente confirmou que os distúrbios provocados na zona fronteiriça com a Colômbia foram orquestrados pela direita, com um grupo de não mais de 200 pessoas que procuraram gerar um incidente e com isso justificar uma intervenção militar. A propósito, disse que o autoproclamado «presidente interino», Juan Guaidó, é apenas um títere imposto pelo governo dos EUA, enfatizando que são as forças revolucionárias as representantes da maioria da cidadania.
Questionado sobre possíveis eleições presidenciais, Maduro reiterou que o povo venezuelano decidiu há 10 meses reelegê-lo em eleições livres, no quadro da Constituição da Venezuela, nas quais obteve 68 por cento dos votos. Explicou que as únicas eleições por realizar, segundo o calendário eleitoral, são as parlamentares e que para esse processo espera poder chegar a um acordo com a oposição. «Que venha o mundo inteiro, se quer observar as eleições, verá a lição de classe que lhe dará o povo venezuelano obtendo a vitória número 24 para os nossos revolucionários», desafiou.
Unidade e mobilização
Em resposta à possibilidade de uma agressão militar dos EUA contra a Venezuela, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, garantiu que nenhum soldado estrangeiro pisará o solo venezuelano. «Todo aquele que ataque o país ou apoie uma intervenção será declarado inimigo da pátria», asseverou Cabello, falando na terça-feira, 26, numa concentração popular no estado oriental de Delta Amacuro.
O também primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela lembrou que por detrás do apoio às manobras golpistas da oposição venezuelana encontra-se o verdadeiro interesse do governo dos EUA de se apoderar dos recursos energéticos e demais riquezas do país sul-americano.
O dirigente venezuelano reiterou o apelo ao povo a manter a unidade e «a mobilização absoluta», juntamente com a Força Armada Nacional Bolivariana, em defesa da soberania e da paz. E explicou que os EUA estão à cabeça da tentativa de golpe de Estado na Venezuela, ao apoiar um presidente ilegítimo, intensificar sanções económicas e promover uma intervenção militar disfarçada de operação de ajuda humanitária.
Diosdado Cabello enalteceu a valentia dos venezuelanos que defenderam a soberania territorial durante os episódios de violência oposicionista registados no último fim-de-semana no estado ocidental de Táchira, na fronteira com a Colômbia, por onde se pretendia fazer entrar uma suposta assistência internacional.
Irrevogavelmente livre
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Venezuela denunciou em comunicado a campanha internacional para tentar derrubar o governo venezuelano, campanha essa – política, económica, diplomática, mediática, armada – comandada pelos EUA juntamente com um grupo de países que lhes são subordinados.
«No passado dia 23, numa acção propagandística sem precedentes, a administração de Trump procurou forçar ilegalmente a entrada em território venezuelano de alguns camiões com alegada ajuda, sem o consentimento das autoridades da Venezuela, com o objectivo de gerar o caos», afirma a nota.
Segundo o texto, essa operação de falsa bandeira foi registada por múltiplos meios de comunicação e ao mesmo tempo rejeitada pelas Nações Unidas e pela Cruz Vermelha Internacional. Esta organização, aliás, opôs-se em Genebra à utilização abusiva dos seus símbolos pelos provocadores anti-venezuelanos. O propósito era facilitar uma intervenção militar estrangeira a partir de países vizinhos da Venezuela, como parte da tentativa de golpe de Estado promovido desde Washington contra as autoridades legítimas da República Bolivariana.
«Uma vez mais, o regime estado-unidense fracassou rotundamente o seu empenho em activar um plano militar intervencionista, apesar dos contínuos ataques empreendidos a partir de território colombiano contra os efectivos da segurança venezuelana», enfatizou.
Além disso, o documento rechaça a actuação do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e dos membros do autodenominado Grupo de Lima, que anunciaram nos últimos dias a adopção de novas medidas unilaterais, incluindo sanções económicas, contra as autoridades de Caracas. Pence e o Grupo de Lima, mais o presidente-fantoche Guaidó, estiveram reunidos na segunda-feira, 25, em Bogotá.
Esta aliança procura que outros países se somem ao grosseiro método de roubo que Washington já pôs em prática contra os activos venezuelanos, incluindo as propriedades da empresa estatal Petróleos de Venezuela (Pdvsa), cujo valor se estima em 30 mil milhões de dólares.
O comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Venezuela faz um apelo à comunidade internacional para cerrar fileiras em defesa dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, pois a sua violação põe em perigo a paz e a segurança mundiais. «A Venezuela é irrevogavelmente livre e independente e exige respeito pela sua soberania, autodeterminação e integridade», conclui o texto.
«Falsa bandeira»
A estação televisiva Telesur divulgou no fim-de-semana evidências de que, ao contrário do que foi difundido pela generalidade da comunicação social, não só não foram os militares venezuelanos a incendiar os camiões na Ponte Internacional Francisco de Paula Santander, na fronteira com a Colômbia, como no seu interior não estaria qualquer «ajuda humanitária», mas materiais que seriam utilizados para actos de violência urbana. Os incêndios foram provocados do lado colombiano por grupos violentos da oposição venezuelana, os mesmos que desde 2014 protagonizam as famigeradas guarimbas, que nessa data provocaram a morte a 43 pessoas.