Novos protestos no Sudão em estado de emergência

PROTESTOS As manifestações no Sudão continuam, mesmo depois da proclamação do estado de emergência e da remodelação governamental pelo presidente Omar Al Bachir, cujo afastamento é exigido pela oposição.

Oposição sudanesa exige a demissão do presidente Omar Al Bachir

A declaração do estado de emergência por um ano decretada pelo presidente do Sudão, Omar Al Bachir, não impediu que centenas de manifestantes continuem a sair à rua para exigir a sua demissão.

A capital, Cartum, e a cidade de Omdurman, a maior do país, nas margens do Nilo, foram cenário, no sábado, 23, de novos protestos anti-governamentais, iniciados em finais do ano passado. Neste momento, estão proibidas as reuniões públicas sem autorização.

As manifestações populares causaram até agora 31 mortos em confrontos violentos, segundo reconhecem as autoridades sudanesas, embora organizações não-governamentais apontem mais de meia centena de vítimas.

Al Bashir atribuiu estes protestos a «agentes estrangeiros» e à oposição e descartou qualquer semelhança entre o que se passa no Sudão e a onda de protestos ocorrida há anos em diversos países árabes.

Na semana passada, deputados do parlamento sudanês adiaram a reunião de um comité criado para debater emendas constitucionais que favoreçam a reeleição de Bashir, cujo mandato termina em 2020. Não foram explicadas as razões do adiamento, tendo sido invocados «compromissos urgentes» dos deputados envolvidos.

A declaração do estado de emergência por um ano teve como propósito enfrentar a grave crise económica no país, a qual obrigou o governo a adoptar medidas de austeridade e a aumentar o preço dos combustíveis, do pão e de outros bens de primeira necessidade.

A medida incluiu a dissolução do governo central e a demissão de vários altos funcionários do Estado federal.

Foi nomeado um novo primeiro-ministro, Mohamed Taher Ela, com anterior experiência governamental, mas mantidos nos cargos os ministros das principais pastas – Defesa, Justiça, Relações Exteriores, Assuntos Presidenciais, entre outros.

Num discurso que pronunciou depois da proclamação do estado de emergência, o presidente Omar Al Bachir qualificou de «legítimos» os protestos populares e disse não os rejeitar, embora tenha denunciado os interesses de certos sectores em conduzir o Sudão «a um destino desconhecido». Destacou a importância do diálogo e enviou condolências às famílias das vítimas da repressão.

Além do estado de emergência e da remodelação do governo, o presidente reestruturou, já esta semana, o Conselho Militar.

A agência sudanesa SUNA informou que a maioria dos oito integrantes do organismo «mudaram de posição» mas não forneceu pormenores. Um porta-voz das forças armadas, por seu turno, afirmou que são «mudanças de rotina».

Para a oposição sudanesa, face à «sublevação popular», o presidente Omar Al Bachir, no poder há 30 anos, não tem muitas opções, nem soluções para ultrapassar a crise e resolver os graves problemas económicos e sociais do Sudão. Deve retirar-se.

PCP saúda libertação
de dirigente do PCS

Numa carta enviada ao Partido Comunista Sudanês (PCS), o PCP saudou a libertação de Fathi Alfadl, membro do Bureau Político do PCS, «que se encontrava preso desde 10 de Janeiro, na sequência das importantes manifestações populares que têm tido lugar no Sudão».

Na mesma carta, o PCP reafirmou a «exigência da libertação de todos os membros do PCS detidos pelas autoridades sudanesas, entre os quais Ali Sa’id, membro do Bureau Político, e Faiza Ibrahim Nuqud, assim como de outros activistas sudaneses».

O PCP associou-se à exigência, feita pelo PCS, da «prestação de cuidados médicos a todos os detidos e ao respeito dos seus direitos por parte das autoridades sudanesas», reiterando ainda a sua solidariedade ao PCS «na sua luta pela concretização das aspirações dos trabalhadores e do povo sudanês, pela paz, a democracia e o progresso social».




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