PCP insiste que erradicar a pobreza reclama política e medidas de fundo
ENCONTRO O Movimento Erradicar a Pobreza foi recebido segunda-feira, 21, pelo PCP, para quem acabar com o flagelo exige «ir à raiz do problema», como referiu Jerónimo de Sousa.
Um combate efectivo ao flagelo exige ir «à raiz do problema»
Após uma reunião ocorrida no Centro de Trabalho Soeiro Pereira Gomes, as delegações prestaram declarações à comunicação social. O Movimento, através de Rego Mendes, lembrou que após a aprovação, em 2008, na Assembleia da República (AR), de dois diplomas que instam o Governo a criar mecanismos de acompanhamento das políticas que se propõem combater a pobreza, nada mais foi feito.
Porque a AR tem de assumir as suas responsabilidades nesta matéria, e designadamente zelar pelo cumprimento das suas deliberações por parte do executivo, o Movimento entregou, em Junho 2016, uma petição com mais de sete mil assinaturas, frisou ainda Rego Mendes. Petição essa que vai hoje [dia 24] a discussão no plenário.
Já Jerónimo de Sousa acentuou a importância da discussão, uma vez que se calcula que cerca de três milhões de portugueses permaneçam em risco de pobreza ou sejam pobres, muitos dos quais apesar de trabalharem ou de o terem feito uma vida inteira.
A questão de fundo para os comunistas, é, por isso, atacar as causas da pobreza e da sua persistência, realçou o Secretário-geral do Partido, que recordando que aquelas se encontram nos baixos salários e pensões de reforma, na degradação das condições de acesso à protecção social ou à Saúde, insistiu que um combate efectivo ao flagelo exige ir «à raiz do problema».
Quem é pobre quer mesmo é deixar de o ser, aludiu Jerónimo de Sousa. Ou dito de outro modo, uma abordagem integral e decidida da pobreza é distinta de iniciativas episódicas de natureza caritativa.