A carga

Vasco Cardoso

Temos assistido ao matraquear da tese de que nos últimos três anos aumentou a «carga fiscal». PSD e CDS repetem-na até à exaustão e são gentilmente acompanhados por muitos dos ditos comentadores políticos. Trata-se de um embuste que precisa de ser desmascarado.

Desde logo, porque visa branquear aquele que foi de facto o «enorme aumento de impostos» (como disse Vítor Gaspar, ministro das finanças do governo PSD/CDS), que reduziu escalões, limitou deduções e impôs a sobretaxa no IRS, aumentou o IVA sobre bens essenciais, aumentou as contribuições dos trabalhadores para a ADSE, ao mesmo tempo que reduziu o IRC para as grandes empresas. A receita fiscal aumentou globalmente entre 2011 e 2015, mesmo num cenário de profunda recessão económica, e sobretudo, assente no agravamento das desigualdades entre capital e trabalho.

De facto, as receitas fiscais aumentaram globalmente nos últimos três anos. Mas isso deve-se sobretudo à retoma da actividade económica (crescimento do PIB superior a 2%), ao aumento do consumo interno, à quebra do desemprego, que possibilitou, mesmo num quadro em que se desagravaram impostos sobre o trabalho, o aumento da receita fiscal globalmente considerada, bem como das receitas da Segurança Social.

As opções do Governo PS, também em matéria fiscal, estão muito distantes das do PCP – veja-se a persistência na atribuição de benefícios fiscais ao grande capital ou a tentativa de aumentar impostos directos como o ISP/combustíveis. Mas isso não pode significar que se compactue com o embuste de PSD e CDS.

Como sempre temos dito, há impostos que devem baixar, mas há também impostos que podem e devem subir, designadamente aqueles que se destinam a taxar a actividade especulativa e parasitária do grande capital. É essa opção que, combinada com a dinamização da actividade económica, pode permitir arrecadar os recursos necessários para o investimento e os serviços públicos, para o desenvolvimento do País.




Mais artigos de: Opinião

Subsídio de Natal de novo por inteiro

Depois de em 2017, por proposta do PCP, cinquenta por cento do subsídio de Natal ter sido pago no período próprio, ou seja, até 15 de Dezembro, este ano, também por acção e proposta do PCP, vai este subsídio ser pago no mesmo período, por inteiro. A propósito, relembra-se que o subsídio de Natal é um direito que, pela...

35 minutos

O Lacerda que está a destruir os CTT para alimentar os parasitas que lhe pagam o ordenado bolsou esta semana que os trabalhadores das lojas dos CTT chegam a trabalhar apenas 35 minutos por dia. Feito o serviço, organizado o título para alimentar a ignorância de grunhos, tontos e distraídos, lá amenizou a criatura -...

Acordai

Uma associação neonazi que dá pelo nome «Wir für Deutschland» («Nós pela Alemanha»), promoveu a 9 de Novembro, em Berlim, uma manifestação para assinalar o 80.º aniversário da tragicamente célebre «Noite de Cristal». Recorda-se que nessa data, em 1938, as forças de choque nazis atacaram sinagogas e estabelecimentos...

PCP fortalece-se assente nas suas próprias forças

É justo que valorizemos a intensa, qualificada e diversificada intervenção do PCP e a organização e militantes do Partido que a asseguraram e, ao mesmo tempo, dar novos passos para o reforço do Partido, concretizando as linhas de trabalho aprovadas pelo Comité Central no início do ano para um PCP mais forte e mais influente para continuar a desempenhar o seu papel indispensável e insubstituível na vida política nacional.

Armistício e Verdade Histórica

A passagem dos cem anos sobre o armistício da guerra de 1914/18 foi oficialmente celebrada como uma efeméride de paz e em torno dela abundaram, sobretudo em França mas também em Portugal, as mais hipócritas considerações sobre o apego à paz e à fraternidade universal. Quando o mestre de cerimónias do principal...