Acordai

Anabela Fino

Uma associação neonazi que dá pelo nome «Wir für Deutschland» («Nós pela Alemanha»), promoveu a 9 de Novembro, em Berlim, uma manifestação para assinalar o 80.º aniversário da tragicamente célebre «Noite de Cristal». Recorda-se que nessa data, em 1938, as forças de choque nazis atacaram sinagogas e estabelecimentos comerciais judeus partindo vidros e incendiando-os, perseguiram e espancaram pessoas, dando início à era de terror do consolado de Hitler que dizimou comunistas, socialistas, democratas, gente sem partido, judeus ou não, minorias étnicas.

O vereador berlinense da Administração Interna, o social-democrata Andreas Geisel, proibiu a manifestação, considerando « insuportável a ideia de que extremistas de direita desfilem pelo bairro do governo, possivelmente ainda por cima com velas acesas na escuridão, no 80.º aniversário da Noite do Pogrom», como citou o jornal Der Spiegel, e porque advoga que não se pode «continuar a tolerar um assumido extremismo de direita a coberto da liberdade de opinião». De nada valeu. O Tribunal Administrativo de Berlim atendeu a providência cautelar interposta pela «Wir für Deutschland» invocando a liberdade de reunião e entendeu que a proibição só se justificaria se a manifestação neonazi tivesse um carácter «provocatório». Mais, o tribunal fez questão de sublinhar que o dia 9 de Novembro «não é um feriado especialmente dedicado à evocação das injustiças do nacional-socialismo e do Holocausto».

Isto é apenas um caso de revisão da História, entre muitos outros por esse mundo fora, Portugal incluído. Portugal onde há dois meses o Instituto Diplomático homenageou Franco Nogueira, embaixador e ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar, e deputado na Assembleia Nacional fascista onde se distinguiu na defesa da manutenção do «Ultramar português». Uma oportunidade, segundo o que veio a público, para o professor Carlos Gaspar (socialista, consta), do Instituto Português de Relações Internacionais, o louvar como «homem livre, recto e determinado que lutou, com paixão, pelas suas convicções e pelas suas ideias, que quis re-inventar uma nação rebelde para recuperar o espírito que fez a grandeza de Portugal».

Não, não estamos em 38, quando o regime nazi florescia na Alemanha. Não, não estamos na Itália de Mussolini. Não, não estamos na longa noite fascista que durante quase meio século mergulhou Portugal no obscurantismo, na repressão, na exploração, na ditadura. Não, não estamos em 64, com o Brasil a cair nas garras da ditadura militar em nome da «lei e a ordem».

Pelos vistos já não é preciso. Pelos vistos as democracias servem muito bem para branquear os nazi-fascistas e levá-los ao Poder. É isso que deve meter medo, muito medo. É por isso que é preciso acordar. É contra isso que é preciso lutar.




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