Destruir primeiro, «estabilizar» depois

Carlos Lopes Pereira

Decorreu em Palermo, na Sicília, a 12 e 13, uma conferência internacional sobre a Líbia, organizada pela Itália com o apoio das Nações Unidas.

O objectivo foi fazer avançar o processo político de «estabilização» da Líbia, afundada na guerra e no caos desde a agressão militar da NATO em 2011, que derrubou o regime constitucional do país – até então um dos mais estáveis e desenvolvidos da África.

Em Palermo falou-se agora de reconciliação e paz, de unidade nacional, de eleições, de migrações para a Europa e, claro, de reconstrução das infra-estruturas destruídas pela guerra, incluindo as petrolíferas.

Participaram da reunião na capital siciliana mais de 30 delegações, entre elas as encabeçadas pelos presidentes do Egipto, Abdel Fattah al-Sisi; da Tunísia, Beji Caid Essebsi; e do Níger, Mahamadou Issoufou; e pelos primeiros-ministros da Itália, Giuseppe Conte; da Rússia, Dimitri Medvedev; de Malta, Joseph Muscatt; da Grécia, Alexis Tsipras; da República Checa, Andrei Babis; e da Argélia, Ahmed Ouyahia. Assistiram também os ministros dos negócios estrangeiros da França e Alemanha e um conselheiro do Departamento de Estado norte-americano. Estiveram igualmente presentes o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk; a alta representante da União Europeia para as relações exteriores, Federica Mogherini; e dirigentes da União Africana, da Liga Árabe, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

Pela Líbia, participou Fayez al-Serraj, chefe do governo baseado em Trípoli, apoiado pelo Ocidente. Marcou também presença o general Khalifa Haftar, chefe das forças que apoiam o governo estabelecido no Leste, que não interveio nas sessões da conferência, embora mantendo encontros bilaterais, incluindo um com al-Serraj.

Os resultados da conferência sobre a Líbia confirmaram a complexidade do processo de «estabilização» do país norte-africano, ao qual a Itália – antiga potência colonial – e a França, ambas com interesses nos negócios do petróleo líbio, prestam especial atenção.

Na opinião do chefe da Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia, Ghassan Salamé, o encontro foi um êxito e pode ser considerado uma pedra angular no processo político rumo à governabilidade da Líbia. Salamé disse que testemunhou um «compromisso sério entre as partes líbias» e assegurou que a conferência nacional líbia prevista para as primeiras semanas de 2019 será mais fácil depois da reunião de Palermo. Segundo ele, prevê-se a realização de eleições na Líbia «na Primavera do próximo ano».

Pelo seu lado, Giuseppe Conte mostrou-se satisfeito, destacou que «foram fixadas premissas importantes para a estabilização» da Líbia e insistiu que «foram assentes bases importantes». O chefe do governo italiano reconheceu que com a estabilidade na Líbia «melhorará o controlo sobre os fluxos migratórios irregulares», mas garantiu que a conferência na capital siciliana não foi convocada para tratar desse assunto, pois «a sensibilidade da Itália não se resume ao problema com a migração».

Conte desvalorizou o facto de a delegação da Turquia, encabeçada pelo vice-presidente Fuat Oktay, ter abandonado a conferência, por não ter sido incluída no reduzido grupo de participantes que assistiram ao aperto de mãos entre al-Serraj e Khalifa Haftar.




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