Saarauís evocam crime de Gdeim Isik
A agência Sahara Press Service qualificou de «ataque brutal e selvagem» a acção protagonizada em 8 de Novembro de 2010 pelas forças marroquinas contra um acampamento próximo da capital do país, El Aiun. A agência noticiosa da República Árabe Saarauí Democrática (RASD) recordou o oitavo aniversário daquela «operação cobarde» contra dezenas de milhares de inocentes que dormiam em milhares de tendas montadas há quase um mês num protesto pacífico contra a ocupação por Rabat do seu território. «O exército marroquino utilizou as suas forças repressivas e todo o tipo de arsenal bélico, incluindo helicópteros, carros de combate, holofotes, altifalantes, armas de fogo e gases lacrimogénios», descreve a agência. Segundo Ahmed Ettanji, da Sahara Press Service, o protesto, que reuniu 30 mil pessoas, teve como objectivo protestar contra as más condições políticas, económicas e sociais em que vive o povo, há mais de quatro décadas sob ocupação marroquina. Naquele 8 de Novembro, as forças ocupantes entraram no acampamento, às cinco horas da manhã, desmantelaram-no de forma brutal e, armados de pistolas, gases lacrimogénios e canhões de água, atacaram pessoas que dormiam. Os atacantes saquearam e queimaram o acampamento, causaram cerca de dois mil feridos e prenderam centenas de pessoas. Depois, 24 saarauís foram submetidos a um longo processo judicial em Marrocos e, em Julho de 2017, nove deles foram condenados a prisão perpétua e 14 a 30 anos de cadeia.