Situação humanitária no Iémen é «absolutamente desastrosa»
O Secretário-geral das Nações Unidas disse que a situação humanitária no Iémen é «absolutamente desastrosa». António Guterres lembrou que a ONU dá ajuda humanitária a oito milhões de pessoas no Iémen, um número que pode aumentar para 14 milhões em 2019, e que há o risco de ocorrer «a maior fome dos últimos anos».
Falando em Paris à rádio France Inter e citado pela Lusa, o chefe da diplomacia mundial revelou que Estados Unidos, Rússia, União Europeia e «algumas potências da região» estão de acordo em que é preciso parar a guerra no Iémen. Guterres entende que é necessária uma solução política para um conflito que não pode ser vencido pelas armas, faltando convencer disso as partes envolvidas nos combates.
O problema, segundo ele, é que a coligação internacional liderada pela Arábia Saudita e apoiada pelos EUA parece «determinada a conquistar Hodeida», um porto fundamental para o fornecimento de ajuda humanitária e cuja destruição criaria «uma situação absolutamente catastrófica». Nos últimos dias, há notícia de violentos combates na zona de Hodeida.
O Iémen está dividido, com as forças pró-governamentais a controlarem o Sul e uma boa parte do centro e os rebeldes huthis (xiitas) a ocuparem o Norte e parte significativa do Oeste.
A guerra opõe as forças do governo, apoiadas pela Arábia Saudita e países ocidentais, aos rebeldes huthis, que controlam desde 2014 vastas regiões, incluindo a capital, Sanaa.
O conflito causou mais de 10 mil mortos e provocou, segundo a ONU, a pior crise humanitária no mundo.