Cúpula militar brasileira tomou partido contra Lula
BRASIL O chefe do Exército reconheceu que pressionou o Supremo Tribunal Federal para não libertar Lula. O Partido dos Trabalhadores acusa a cúpula militar de apoiar Bolsonaro.
O Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil repudiou as declarações do comandante do Exército, general Villas Boas, que interveio para impedir a justiça de conceder um habeas corpus ao ex-presidente Lula da Silva. Numa recente entrevista publicada pelo diário Folha de São Paulo, o chefe do Exército reconheceu que pressionou pessoalmente para evitar que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidisse um recurso a favor da liberdade de Lula, preso desde há sete meses por alegados – e nunca provados – actos de corrupção.
O habeas corpus foi recusado pelo STF e o antigo chefe de Estado foi preso a 7 de Abril por ordem do juiz Sérgio Moro, que foi entretanto anunciado como futuro ministro da Justiça e Segurança Pública do gabinete do presidente eleito, o ultradireitista Jair Bolsonaro, que toma posse no começo de 2019.
«Ao afirmar [Villas Boas] que, em sua opinião, a liberdade de Lula seria motivo de instabilidade, o general confirma que a condenação contra o maior líder político do país foi uma operação política, com o objectivo de impedir que ele fosse eleito presidente da República», denunciou o PT numa nota divulgada na segunda-feira, 12, pelo portal digital Brasil 247.
O comunicado afirma que agora fica demonstrado que não só «o sistema judicial, ligado a Sérgio Moro, a rede Globo e os grandes meios de comunicação participaram nessa operação arbitrária e anti-democrática, mas também a cúpula das Forças Armadas».
Para o PT, o comandante do Exército diz querer despolitizar as Forças Armadas «mas sua confissão compromete o comandos militares com o golpe e demonstra que eles exercem de facto uma tutela inconstitucional sobre as instituições e jogam inclusivamente com a liberdade de um cidadão injustamente condenado».
A entrevista do general Villas Boas, refere o PT, «compromete a cúpula das Forças Armadas com a visão autoritária do processo político de Jair Bolsonaro, que faz graves ameaças à oposição através de declarações e textos que circulam nas redes sociais».
A terminar o comunicado, o PT «exorta as forças democráticas do país a repudiar e denunciar a usurpação confessada pelo general Villas Boas e defender a democracia contra as ameaças de Bolsonaro». E alerta que «não há limites para a tirania depois dela se instalar».