Enfermeiros em greve exigem proposta segundo compromissos

LUTA Os seis dias de greve, convocados pelo SEP/CGTP-IN e outros três sindicatos, começaram ontem com elevada adesão. Hoje há concentrações regionais e, no dia 19, uma manifestação nacional frente ao Ministério.

O Governo não cumpriu o que teve de assumir perante a luta

Centenas de cirurgias não urgentes foram adiadas na quarta-feira, dia 10, e em vários hospitais o nível de adesão foi total. Num primeiro balanço, apresentado aos jornalistas pelo seu presidente, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses referiu, ao final da manhã, os exemplos dos hospitais de Abrantes, Chaves, Bragança, Tondela, Viseu, Lamego, Famalicão e Figueira da Foz. Abrangendo apenas os blocos operatórios e a cirurgia em ambulatório, a greve teve adesão superior a 80 por cento no Hospital de São José, em Lisboa, à entrada do qual José Carlos Martins falou à comunicação social, pormenorizando que, de cerca de 40 enfermeiros habitualmente de serviço no bloco operatório central de Lisboa, apenas um profissional não fez greve.

Hoje, a greve é para os enfermeiros que laboram em todas as instituições do Serviço Nacional de Saúde e em serviços dos diversos ministérios. Concentrações de âmbito regional estão marcadas para junto de hospitais nas cidades de Porto, Coimbra, Évora, Faro e Lisboa.

Novas greves, em moldes semelhantes, estão agendadas para dias 16 a 19, sendo que, neste dia, ocorrerá uma manifestação nacional, a partir das 14 horas, frente ao Ministério da Saúde.

O SEP, o SERAM, a ASPE e o Sindepor acusam o Governo de não respeitar os compromissos assumidos no processo negocial de 2017, relativamente à negociação da revisão da carreira de Enfermagem, com valorização da grelha salarial: ainda não apresentou uma proposta de diploma, embora a negociação devesse estar concluída no primeiro semestre de 2018; não está feita a justa e correcta contagem dos pontos (anos de serviço) no descongelamento das progressões para todos os enfermeiros, independentemente do vínculo laboral; falta garantir o pagamento do suplemento remuneratório aos enfermeiros especialistas; está por fazer a admissão de mais enfermeiros, necessários nos vários serviços.

«A defesa do Serviço Nacional de Saúde passa pela defesa dos direitos dos seus trabalhadores», afirmou a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública. Numa saudação enviada anteontem ao SEP, frisou que «não é aceitável que os enfermeiros continuem a ser sujeitos a condições de trabalho desgastantes, que põem em risco a sua saúde e não dignificam as suas carreiras nem valorizam o serviço público que prestam todos os dias aos cidadãos».

 



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