Dormir sobre o assunto
Vai para aí um reboliço (justo, diga-se de passagem) com o facto de haver cada vez menos camas disponíveis para os milhares de estudantes do Ensino Superior deslocados que, a cada início de ano lectivo, procuram alojamentos privados, debatendo-se com ofertas na ordem das centenas de euros por mês, por um quarto. Com sorte, com boas vistas. Com muita sorte com boas condições.
Tal situação, alerta para duas questões distintas.
A primeira, clara como água, é que esta situação decorre de décadas de política de direita de desinvestimento no Ensino Superior Público e de desprezo pelo preceito constitucional que assegura a todos o direito de acesso aos mais elevados graus de ensino, e que assume que o Estado deve garantir a gratuitidade progressiva de todos os graus de ensino.
De facto, ao não garantir a existência de oferta pública de alojamentos a todos os estudantes, a política de direita, e os sucessivos Governos que lhe deram corpo, sujeitam esses milhares de jovens à especulação, que agora se acentua com a multiplicação de outras dinâmicas de procura, nomeadamente ao nível do alojamento local.
A segunda, para que se reponha a verdade, é que alguns dos que hoje se mostram muito indignados com essa situação escandalosa, são os mesmos que estão na origem desses problemas reais, e mesmo que, no ano passado, por ocasião do debate do Orçamento do Estado para 2018, inviabilizaram a proposta do PCP que atribuía verbas ao Ministério do Ensino Superior e da Ciência para que se garantissem, em 2020, mais 1000 camas públicas do que actualmente.
Sim, onde estavam PS, PSD e CDS quando a proposta do PCP foi votada e chumbada? Estavam do lado do chumbo.
E o que fazem os órgãos de comunicação social que hoje se arvoram em paladinos dos direitos estudantis? Omitiram na altura a proposta do PCP e escondem-na agora, de novo.
Nós é que não estamos a dormir sobre o assunto!