Os avisadores
Segundo o JN, o Presidente da República avisou, pela enésima vez dizemos nós, na passada semana, que «é bom para o País que não haja crise nenhuma e que o Orçamento seja aprovado».
Com tantos avisos, recados e pressões, o Presidente das «selfies» e dos afectos ainda se arrisca a ficar para a história como «o avisador».
Mas o problema não é exactamente qual o epíteto com que Marcelo será recordado, mas sim a quem servem os avisos que o PR, indicando o caminho a outros avisadores, sejam o Primeiro ministro, ou outros membros do Governo, sejam os comentadores do costume, anda por aí a espalhar.
É que, como se não bastasse quebrar a sua regra de falar do processo legislativo apenas depois das decisões da AR, como fez quando estavam em causa os interesses do grande capital, avisando que o acordo da Concertação Social, que juntou Governo, grande patronato e UGT no caminho do aumento da exploração e da legitimação da precariedade, era adequado, oportuno e equilibrado, agora ainda vem insistir nos avisos de que o que é necessário é aprovar o Orçamento, independentemente dos seus conteúdos.
Pela nossa parte, fica claro que ouvimos os avisos e que eles não entram por um ouvido e saem pelo outro. Pelo contrário. Tais avisos só nos alertam para estarmos ainda mais atentos aos conteúdos da proposta de Orçamento do Estado, quando ela for conhecida, como aliás fazemos relativamente a qualquer proposta, e para confirmar a decisão de apenas nos pronunciarmos em função das suas opções e de elas responderem, ou não, aos problemas e aspirações dos trabalhadores e do povo. Não desistindo nunca de nenhuma batalha antes de a travar.
Mas tanta insistência, vinda de quem vem, é de desconfiar!