35 horas

João Frazão

À boleia da justa generalização na Administração Pública das 35 horas semanais, confirmando que vale a pena lutar e que, não desistindo de nenhuma batalha antes de ela estar perdida, como faz o PCP, se conseguem resultados que pareciam impossíveis, desenvolve-se uma campanha, tendo o Serviço Nacional de Saúde como centro, que é preciso denunciar e rejeitar.

É preciso denunciar que a questão não é «porque razão fazem os trabalhadores da AP 35 horas semanais», mas sim, exactamente ao contrário, «porque é que, ao fim de mais de um século de luta e de avanços técnicos e científicos que aumentaram brutalmente a produtividade, ainda há trabalhadores a fazer mais de 35h».

É preciso lembrar que esta medida, aplicada agora aos contratos individuais de trabalho, uma vez que os outros já faziam esse horário, no caso do SNS, é positiva também para os utentes, pois muitos deles estão a ser atendidos por profissionais exaustos pelos longos horários a que são obrigados.

É preciso alertar os mais «distraídos» para o facto de que se as 35 horas semanais criarem dificuldades com falta de pessoal, neste ou naquele serviço, e necessariamente acontecerá em todos eles, isso tem fácil resolução por via da contratação de mais trabalhadores, que estão aos milhares no desemprego, ou forçados a uma emigração que nunca desejaram.

Por fim, importará sublinhar que os problemas de atrasos nas consultas, nas operações, nos atendimentos não começaram neste dia 1 de Julho, vindo muito de trás e tendo a sua origem nas opções de desinvestimento a que o SNS foi sujeito por décadas de política de direita, executada e apoiada pelos que hoje choram lágrimas de crocodilo.

A redução do horário de trabalho, reivindicação central de luta de sucessivas gerações de trabalhadores, representa uma importante avanço civilizacional. Se não é ainda para todos, é exactamente porque estes, os que agora criticam a medida, o impedem.



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