Homenagear Catarina continuando a sua luta
HOMENAGEM No 64.º aniversário do assassinato de Catarina Eufémia pelo fascismo, Jerónimo de Sousa reafirmou o compromisso do PCP de continuar a luta em defesa dos trabalhadores, do povo e do País.
A Reforma Agrária permanece hoje como um projecto de futuro
O Partido Comunista Português homenageou, no domingo, 20, em Baleizão, Catarina Eufémia, «combativa e corajosa mulher, orgulho do glorioso proletariado rural alentejano, orgulho de todos os trabalhadores portugueses, orgulho do seu Partido».
Os comunistas prestaram tributo a Catarina, na sua terra natal, expressando «profundo respeito e admiração pela firmeza e dignidade com que enfrentou a violência e o terror fascista, tombando às suas balas assassinas», a 19 de Maio de 1954, quando «encabeçava a luta do povo trabalhador destes campos do Alentejo», como lembrou o Secretário-geral do PCP.
Após a deposição de flores na campa de Catarina, Jerónimo de Sousa participou da marcha – com uma faixa indicando que «A luta é o caminho!» – até ao largo com o nome da heroína, onde decorreu um comício. A abrir, umas modas pelas cantadeiras do grupo Terras de Catarina e pelos cantadores do Grupo Coral de Baleizão. Seguiu-se a intervenção do líder do PCP, que estava ladeado por dirigentes locais e nacionais do Partido e da JCP.
Perante centenas de pessoas que enchiam o largo, Jerónimo de Sousa disse que evocar hoje Catarina Eufémia é evocar «a longa e heróica luta dos trabalhadores agrícolas do Alentejo», «a luta da resistência contra o fascismo e a luta pela liberdade», «a luta pelo acesso à terra com a Reforma Agrária – esse grande sonho que gerações e gerações de proletários agrícolas aspiravam ver concretizado com a sua longa luta». Sonho que «se tornou momentaneamente realidade com a Revolução de Abril», sonho que «permanece como um projecto de futuro».
Sobre a situação actual, referiu os combates que têm vindo a ser travados nestes dois anos e meio da nova fase da vida política nacional pelo PCP, com os trabalhadores e o povo, «visando a defesa, reposição e conquista de direitos».
Apesar dos avanços conseguidos, acentuou, mantêm-se «muitos problemas a carecerem de resposta que tarda». Por isso, na luta que o PCP desenvolve pela afirmação e concretização de uma outra política, a valorização do trabalho e dos trabalhadores assume uma importante prioridade.
Embora com a plena consciência de que a solução para os problemas do País não dispensa, antes exige, a ruptura com a política de direita e a realização de uma política patriótica e de esquerda, reafirmou que o PCP continua empenhado «na procura das soluções que correspondam a legítimas aspirações a uma vida melhor para o nosso povo». E garantiu que «é seguindo o caminho que leve à concretização dessas aspirações que nos encontrarão, honrando o nosso compromisso de sempre com os trabalhadores e o povo».
Alqueva
e outros combates
«Foi com a luta que se conseguiu avanços na reposição de direitos e rendimentos, será com a luta que se conseguirá novas conquistas», considerou Jerónimo de Sousa.
Evocou lutas de hoje no distrito e Beja e no Alentejo. Como a dos trabalhadores das minas de Neves-Corvo e de Aljustrel. Como a das populações pela melhoria das condições e qualidade de vida, pelo progresso do território, com mais investimento e melhores infra-estruturas. Como a luta por «medidas que assegurem o pleno aproveitamento do empreendimento de fins múltiplos de Alqueva, com a elaboração de um plano estratégico, colocando-o efectivamente ao serviço da região e do País». Como a luta pelo «desenvolvimento e aproveitamento integral do aeroporto de Beja, a melhoria das acessibilidades das quais se relevam a finalização do IP8 em perfil de auto-estrada entre Sines e Ficalho, sem portagens, e a rápida abertura dos troços já construídos». Como a luta pela «modernização da rede ferroviária, onde se inclui a electrificação entre Beja e Casa Branca e a reposição da ligação ao Algarve». Ou como a luta pela «construção da 2.ª fase do hospital distrital de Beja, que não dispensa, antes exige, o reforço dos meios humanos e valências, e dos cuidados primários de saúde».
Intervindo numa região onde «o seu bem maior é a terra», o dirigente comunista valorizou o contributo do Alentejo para o aumento da produção de azeite. Mas manifestou «preocupações grandes sobre os impactos ambientais, para a saúde e para o próprio desenvolvimento da economia regional que o alargamento exponencial do olival intensivo e super-intensivo está a criar, e poderá criar ainda mais, com o seu afunilamento da produção agrícola numa só fileira produtiva». E precisou que o PCP defende «o total aproveitamento da terra com a diversificação da produção agrícola e a sua transformação, contribuindo para uma economia de base variada, numa região onde estão presentes outros recursos a exigir serem potenciados».