Greve dos professores dá força à continuação da luta

CRESCENTE Pelo tempo de serviço que foi congelado, por um regime específico de aposentação e pela regularização dos horários de trabalho, as greves de professores evidenciam maior descontentamento.

A recuperação do tempo de serviço na carreira é inegociável

Os dados da adesão de professores e educadores «demonstram que a luta dos professores pela recuperação do tempo de serviço congelado, por um regime específico de aposentação e pela regularização dos horários de trabalho está a crescer», como comentou a Fenprof, ao dar notícia de uma primeira apreciação da adesão na Região Sul, ontem.

No primeiro dia, quando a greve incidiu nos distritos de Lisboa, Setúbal, Santarém e Madeira, as dez organizações sindicais que convocaram a luta reagiram muito criticamente às posições do Governo na última reunião de negociação e declararam que «a greve vai continuar, vai crescer ainda mais e a seguir à greve outras acções se seguirão, caso o Governo mantenha a sua posição, estando já a ser discutida com os professores a data para a realização de uma grande manifestação nacional».

Num comunicado conjunto, na terça-feira, dia 13, que intitularam «Tempo de serviço não se negoceia, conta-se!», as federações e sindicatos estimaram níveis de adesão «entre 60 e 70 por cento, com tendência para um aumento considerável, não apenas na região da Grande Lisboa (onde muitos professores, por constrangimentos que se colocaram neste primeiro dia, farão greve em outro ou outros dos próximos três), como, principalmente, nas regiões que se seguem: dia 14, no Sul, dia 15 no Centro e dia 16 no Norte e Açores».

Nesse primeiro dia, foram encerradas várias escolas, sendo referidas no comunicado as EB2.3 Almeida Garrett (Alfragide), Manuel da Maia (Lisboa), Noronha Feio (Oeiras) e Francisco Arruda (Lisboa), a Secundária Romeu Correia e a EB2.3 de Alembrança (ambas no concelho de Almada), as escolas básicas de Santo António, de Campelos, de Ereira e Cesário Verde. Em muitas escolas onde houve aulas, registaram-se «níveis de adesão da ordem dos 60, 70, 80 ou 90 por cento». Outras «registaram níveis mais baixos, muitas vezes, não por desacordo com os motivos da greve, mas porque os professores não conseguiram alterar a data de testes decisivos para os alunos ou anular visitas há muito programadas, mas serão, precisamente, esses professores que, embora da região da Grande Lisboa ou Madeira, irão aderir à greve num dos próximos dias ou mesmo, como muitos garantiram, nos próximos três dias».

No Algarve, a adesão à greve na quarta-feira situou-se acima da média registada na véspera e nalgumas escolas superou os 70 por cento, como referiu o secretário-geral da Fenprof, citado pela agência Lusa. Mário Nogueira esteve ontem em Faro, junto à escola básica D. Afonso III, onde se reuniu com professores em greve e fez um balanço provisório da luta, que nesse dia decorria também nos distritos do Alentejo.

O dirigente reafirmou que a Fenprof não pode pactuar com o «apagão» no tempo de serviço, um tema inegociável.

A greve prossegue hoje, dia 15, na região Centro (Coimbra, Viseu, Aveiro, Leiria, Guarda e Castelo Branco) e amanhã, sexta-feira, na região Norte (Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança) e na RA dos Açores.

 



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