Síria

Pedro Guerreiro

Ameaças que se suportam numa ampla operação de desinformação

A brutal agressão contra a República Árabe da Síria e o seu povo iniciou-se há cerca de sete anos.

Seguindo um guião já usado em guerras de agressão do imperialismo contra outros estados – recordemos a destruição da Jugoslávia ou da Líbia pela NATO –, a operação contra a Síria teve na criação de grupos terroristas e do apoio à sua brutal acção um elemento central. Grupos terroristas que, integrando milhares de mercenários e mudando convenientemente de designação ao longo do tempo, são animados pelos EUA e seus aliados – como a França, o Reino Unido, a Turquia, Israel, a Arábia Saudita, o Catar ou a Jordânia –, perpetrando os mais hediondos crimes e brutais violações dos direitos humanos.

Só com uma heróica e perseverante luta foi possível à Síria e ao seu povo resistir à barbárie que foi lançada contra si pelo imperialismo – uma legítima resistência e luta que contou com o importante apoio de diversos países, com destaque para a Federação Russa.

Falhado o propósito da destruição do Estado sírio e derrotada a cartada dos bandos terroristas, eis que os seus mentores se assomem, intervindo militarmente de forma directa, procurando salvaguardar as suas criaturas e ocupar ilegalmente território da Síria, prosseguindo a guerra de agressão, agora com o objectivo de impor a divisão daquele país do Médio Oriente.

É neste quadro que assumem particular gravidade as recentes ameaças de recrudescimento da agressão à Síria por parte dos EUA – secundadas pela França e o Reino Unido –, que visam dar alento e apoio à acção dos grupos terroristas (que converte em «oposição» ou «rebeldes») em Ghouta e noutras regiões da Síria.

Ameaças que se suportam numa ampla operação de desinformação, na qual têm importante papel altos responsáveis das Nações Unidas. Uma operação de desinformação que não só esconde: os sistemáticos esforços levados a cabo pela Síria e a Federação Russa para a construção de um amplo diálogo com vista a uma solução política; para salvaguardar, defender e libertar as populações que ainda se encontram sob o controlo dos grupos terroristas; para cumprir o direito internacional, assegurando o respeito da soberania, independência, unidade e integridade territorial da Síria e do direito do seu povo a decidir, livre de ingerências externas, o seu futuro. Como esconde igualmente: o permanente boicote dos EUA e dos seus aliados aos esforços de diálogo e para a paz; o seu apoio aos grupos terroristas, incluindo a tentativa de imposição de cessar fogo sempre que seja necessário para os proteger; a sua afronta à Carta das Nações Unidas e ao direito internacional; a sua agressão aos direitos e soberania do povo sírio.

Não aceitando a derrota, o imperialismo parece disposto (a voltar) a cometer as mais abomináveis provocações, como a encenação ou, mesmo, a utilização real de armas químicas por parte dos grupos terroristas, por forma a acusar as autoridades sírias e, assim, forjar um pretexto para «legitimar» a agressão.

Para os arautos da guerra vale tudo, incluindo o apontar das terríveis consequências da sua guerra de agressão contra a Síria e o seu povo, para propagandear por mais guerra e o seu imenso lastro de morte, sofrimento e destruição.




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