«Eu sou o melhor»
«Eu sou o melhor candidato a primeiro-ministro», disse Rui Rio depois de Cristas ter dito na véspera – «a melhor sou eu». Eis a substância do show off mediático do fim de semana da ex-união de facto PSD/CDS, que desgovernou cinquenta e três meses, até final de 2015, e está agora separada, para ludibriar a cobrança política pelas suas malfeitorias.
Esta embófia do presidente do PSD diz muito da personagem e do projecto, até no contexto da despudorada campanha político-mediática de branqueamento que promove, mais o CDS, para ocultar o passado.
O PSD hesitou, a bradar pelo «diabo» e a passar graxa ao anterior governo, e o CDS tem uma verve de mentiroso que não pede meças. Mas agora são tantos os truques e conivências do poder económico-mediático que parece que ambos nunca estiveram no governo, que a política de direita, de desastre e submissão, é do defenestrado Miguel de Vasconcelos e nada tem a ver com PSD/CDS (e PS).
Rio leva a peito a ordem do grande capital para «libertar o governo da dependência da esquerda», isto é, do PCP, e ensaia com o PS e o alto patrocínio de M. R. Sousa, o calendário da convergência – na descentralização e fundos comunitários, mas mais, agora e sempre, no essencial dos grandes interesses, com o CDS e o PS – que assim clarifica a sua posição –, contra melhorias na legislação laboral, pela exploração e o lucro máximo.
O PSD está em fase de branqueamento – não tem culpa nenhuma, nunca roubou os trabalhadores, nem foi lacaio de interesses estranhos ao povo e ao País, e está para «ajudar» o governo PS. Mas afia as garras para nova ofensiva – rever a Constituição e (contra) reformas estruturais, em conflito com o povo e o País.
É o PSD, reaccionário e igual a si próprio. Não há Rio que o lave.