Rússia acusa EUA de «neo-imperialismo»

Carlos Lopes Pereira

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, classificou como «neo-imperialista» a política dos Estados Unidos de ingerência nos assuntos internos de outros países, supostamente, em nome da democracia e liberdade.

«Não partilhamos esse tipo de filosofia e consideramos essa posição totalmente neo-imperialista», afirmou o dirigente russo, no Zimbabué. «Não interferimos nos assuntos internos de outros países e nunca faremos isso, apesar do que dizem quase todos os dias as potências ocidentais», disse Lavrov. E insistiu: «Os povos, como o do Zimbabué, têm o direito de eleger o seu próprio destino».

O discurso de «diálogo de cooperação e mútuo respeito» foi repetido em Adis Abeba, no encontro com o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki. «Tencionamos cooperar com a União Africana em todas as áreas sem excepção – nos âmbitos político, comercial, económico, humanitário, educacional e na coordenação das nossas actividades no plano internacional», assegurou Lavrov. A Rússia defende a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e defende que a África tenha um maior peso naquele organismo mundial, como membro permanente.

Além das questões políticas e de princípios, a delegação russa tratou da cooperação económica com os países que visitou – Angola, Moçambique, Namíbia, Zimbabué e Etiópia –, com os quais, no passado, noutro contexto mundial, a União Soviética manteve relações de amizade.

No caso do Zimbabué, e depois de um encontro entre o presidente Emmerson Mnangagwa e Lavrov, soube-se que vai avançar o projecto de exploração da mina de platina de Darwendal por uma empresa mista russo-zimbabuena, um investimento de três mil milhões de dólares. E que foram assinados convénios nos sectores da indústria, agricultura e comércio e abordadas as perspectivas de cooperação na indústria dos diamantes e de colaboração na área militar e técnica.

Em Moçambique, as petrolíferas ExxonMobil, norte-americana, e Rosneft, estatal russa, são parceiras desde 2015 na prospecção de petróleo e gás ao largo da costa, juntamente com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos. Em Maputo, Lavrov manifestou esperança de que as sanções impostas pelos EUA à Rússia não interfiram nos interesses económicos das empresas dos dois países. E remeteu para a reunião da comissão mista intergovernamental, em Abril, outros aspectos da cooperação russo-moçambicana.

Também com a Etiópia os russos renovaram acordos de cooperação bilateral em diversos domínios – militar, energético, incluindo a energia nuclear, investigação biológica, aviação civil.

A viagem de Lavrov por África coincidiu com a visita do secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, a vários países do continente.

Enquanto o périplo do dirigente russo parece ter sido um êxito, tanto do ponto de vista político como económico, a missão estado-unidense pela Etiópia, Djibuti, Quénia, Chade e Nigéria, centrada na «luta contra o terrorismo», não trouxe nada de novo. Acima de tudo, terminou mal: poucas horas depois do seu regresso a Washington, Tillerson foi demitido do cargo por Trump e substituído à frente do Departamento do Estado pelo director da CIA, Mike Pompeo, um homem da confiança do presidente, alinhado com o seu estilo musculado.




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